- 29.08.2022
- Geografia
- Ensino fundamental (básico)
Procuro colocar assuntos acerca de temas da História e da Educação que possam ajudar alunos, professores ou outras pessoas em pesquisas ou interesses históricos e educacionais.
terça-feira, 21 de março de 2023
sábado, 10 de setembro de 2022
I REINADO
I REINADO
Como se forma uma nação?
Quando Pedro de Alcântara assumiu o governo do novo país, o Brasil,
independente de sua antiga metrópole, Portugal, a maioria das províncias passou
a ser governada pelo Partido Brasileiro, que imediatamente se mostrou aliado do
novo imperador. Mas a independência não foi um processo tão simples assim. No
Maranhão e na Bahia a coisa se deu de uma maneira mais complicada. Foi preciso
a intervenção militar para derrotar as tropas portuguesas. A situação mais
complicada aconteceu, no entanto na província do Pará, onde os Radicais
assumiram o governo.
Os rebeldes questionavam a autoridade absoluta do imperador, queriam mais poder para o povo. A resposta de D. Pedro I foi brutal: mandou tropas lideradas pelo mercenário inglês Grenfell, que esmagaram os rebeldes. No dia 15 de agosto de 1823 (quase um ano depois) foi que aconteceu a cerimônia de adesão do Pará à Independência, depois de centenas de mortes.
A organização do novo país.
As elites brasileiras que conduziram a independência do Brasil tinham
horror às rebeliões populares como as que ocorreram durante a revolução
francesa, mas aceitavam a idéia de que o país deveria ter uma constituição para
não se tornar absolutista.
Por isso, foi eleita uma Assembléia Legislativa. Como a eleição
era censitária, a grande maioria da Assembléia era formada pela elite do país.
O Partido português estava sempre muito próximo a D. Pedro I, e
desejavam que ele tivesse plenos poderes, governando praticamente sem nenhum
limite. Por isso eles eram chamados de Absolutistas. O Partido brasileiro,
ao contrário, era formado por grandes proprietários, eles aceitavam os poderes
do imperador, mas queriam que os deputados (a maioria, grandes proprietários
que atendiam aos seus interesses) tivessem algum tipo de controle sobre o
Imperador. Os Radicais adotavam as idéias liberais e queriam uma
monarquia constitucional parecida com a da Inglaterra. Eles tinham o apoio da
classe média, mas eram a minoria na assembléia.
Como a Constituição que estava sendo feita atendia aos interesses do
partido brasileiro (o Imperador seria controlado por senadores e deputados)
mandou fechar a Assembléia e depois ordenou que dez assessores seus redigissem
a Constituição do Brasil.
Essa constituição tinha as seguintes características:
v
Dividia o poder político brasileiro em quatro
§ Executivo: para dirigir a nação e seria exercido pelos ministros escolhidos pelo
Imperador.
§ Judiciário: para zelar pelo cumprimento das leis, seria exercido por juízes e
tribunais.
§ Legislativo: para fazer as leis, seria exercido pela Assembléia Geral do Império,
formada por deputados e senadores.
§ Moderador: exercido pelo Imperador, permitia a ele demitir e nomear juizes e
também fechar a Assembléia, ou seja, quem acabava mandando em todos os poderes
era o Imperador.
A Assembléia Geral era eleita por voto censitário e indireto, ou seja,
havia uma eleição para escolher as pessoas que poderiam votar em deputado e
senador.
O cargo de senador
era vitalício, e cada província elegia três pessoas para que o Imperador
escolhesse um deles.
O poder era baseado
no Unitarismo, ou seja, o poder central (a capital) teria plenos poderes sobre
todas as províncias, impedindo qualquer autonomia das províncias, todas as
regiões do país tinham que se submeter a capital.
A religião oficial
do Brasil seria a Católica e outras religiões só poderiam existir, contanto que
não tivessem templos nem reuniões públicas. Além disso, qualquer ordem do Papa
teria que passar pela autorização do Imperador. Assim a Igreja ficou subordinada
ao Estado.
Essa Constituição agradou pouca gente, e graças a ela acabou eclodindo uma grande revolta em Recife, em 1824.
A Confederação do Equador.
Para os nordestinos a nova constituição havia sido muito prejudicial,
pois continuavam sendo praticamente uma colônia, só que agora, do Rio de
Janeiro. O estopim da revolta foi a escolha do novo governador de Pernambuco,
que não agradou ás elites locais.
A idéia dos rebeldes era clara, criar um novo país onde não tivesse que
se subordinar a nenhuma outra elite. Foi então criada a Confederação do Equador
unindo Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, onde seria proclamada
uma República.
Mas não deu certo. D. Pedro I ordenou a repressão e tropas terrestres e navios de guerra avançaram sobre a região. Muitos líderes foram executados. Será que os revolucionários da Confederação se tornaram brasileiros voluntariamente? E os paraenses? Assim está sendo formado o Estado nacional brasileiro.
A Guerra da Cisplatina
Os problemas financeiros do governo se agravaram quando D. Pedro I
declarou guerra à Argentina. Tudo havia começado quando D. João ainda estava no
Brasil e enviara tropas para tomar um território espanhol onde hoje está o
Uruguai. Anos depois, já no tempo e D. Pedro I, o Uruguai foi considerado uma
parte do Brasil, com o nome de Província
da Cisplatina. Acontece que os uruguaios haviam sido colonizados pelos
espanhóis. Não tinham nada a ver com os brasileiros. Eles então pegaram em
armas para lutar pela independência. Tinham o apoio da Argentina, que pensava
em criar um só país unindo as duas nações. Daí estourou a guerra do Brasil
contra a Argentina e os patriotas Uruguaios.
A guerra foi muito desgastante. O governo brasileiro aumentou os impostos e enviou muitos jovens para morrer no campo de batalha. O conflito esgotou argentinos, uruguaios e brasileiros. No final, a Inglaterra interveio. O Brasil desistiu de lutar, mas o Uruguai não se juntou à Argentina. Tornou-se um país independente (1828). Á os brasileiros, que nunca haviam desejado essa guerra tinham mais um motivo para detestar D. Pedro I.
A abdicação de D. Pedro I.
O rei geralmente para de governar quando morre, mas D. Pedro não teve
essa oportunidade, pois foi expulso do país por seus inimigos. Vamos ver onde
ele arrumou tantas inimizades?
O primeiro motivo foi seu autoritarismo. Quem ousasse critica-lo era
mandado para a prisão. Sua atitude agressiva no Pará e em Pernambuco são bons
exemplos dessa postura.
A situação do país era péssima e o seu governo só fez piorá-la. Primeiro
por que pagou pesadas taxas à Portugal pela independência, dinheiro que pediu
emprestado à Inglaterra. Além disso, gastou muito dinheiro combatendo os
portugueses e os rebeldes e como não podia pagar suas dividas, emprestava mais
dinheiro. Era o início da nossa divida externa.
Mesmo tendo pouco dinheiro, envolveu-se na guerra da Cisplatina,
tentando manter essa província unida ao Brasil (hoje a Cisplatina é o Uruguai).
Acabou sendo derrotado e deixando o povo ainda mais descontente.
Quando D. João morreu, D. Pedro I deveria tornar-se rei em Portugal.
Para os brasileiros, no entanto isso significaria que Portugal e Brasil
voltariam a ser o mesmo reino e provavelmente o Brasil voltaria a ser tratado
como colônia, pois os portugueses ainda não haviam engolido a história da
independência.
O assassinato de um conhecido jornalista, Libero Badaró, foi a gota
d’água. O povo acusou D. Pedro e foram às ruas. Logo, no dia 7 de abril de
1831, D. Pedro abdicou do trono em favor de seu filho Pedro de Alcântara,
iniciava-se aí, o período regencial.
1. Como estava organizada a
situação política do Brasil logo após a Independência? Explique o papel dos
principais grupos políticos mencionados no texto.
2. Por que a adesão do Pará à
Independência do Brasil aconteceu de forma mais complicada do que em outras
províncias?
3. Quem eram os Radicais e quais ideias
defendiam durante o processo de organização do novo país?
4. Por que D. Pedro I dissolveu a
Assembleia Constituinte e mandou elaborar uma nova Constituição?
5. Explique o que era o Poder Moderador e por que ele contribuía
para aumentar os poderes de D. Pedro I.
6. O que significa dizer que o voto
estabelecido pela Constituição de 1824 era censitário
e indireto?
7. Por que a Constituição de 1824 provocou
insatisfação em parte da população, especialmente nas províncias do Nordeste?
8. O que foi a Confederação do Equador? Quais eram os objetivos dos
grupos que participaram desse movimento?
9. Explique as principais causas da Guerra da Cisplatina e qual foi o
resultado desse conflito para o território que atualmente corresponde ao
Uruguai.
10. Cite e explique três fatores que contribuíram para o
aumento da insatisfação da população com o governo de D. Pedro I.
11. Por que a possibilidade de D. Pedro
I assumir também o trono de Portugal causava preocupação entre os brasileiros?
12.
Explique como ocorreu a abdicação de D.
Pedro I, em 7 de abril de 1831, e o que se iniciou no Brasil após sua
saída do poder.
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
A
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL INGLESA (SÉCULO XVIII): A PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Por
Revolução Industrial, as ciências humanas compreendem como o período de grande
desenvolvimento tecnológico que foi iniciado na Inglaterra a partir da segunda
metade do século XVIII. Com o tempo, esse desenvolvimento espalhou-se para
outras partes do mundo, como a Europa ocidental e os Estados Unidos. Assim,
surgiu a indústria, e as transformações causadas por essa possibilitaram a
consolidação do capitalismo.
A
Revolução Industrial também impactou as relações de trabalho, gerando uma
reação dos trabalhadores, cada vez mais explorados no contexto industrial.
Antecedentes O início da Revolução Industrial ocorreu pelo desenvolvimento da
máquina a vapor, que aproveita o vapor da água aquecida pelo carvão para
produzir energia e revertê-la em força para mover as máquinas. Na Inglaterra,
ainda no final do século XVII, foi criada a primeira máquina desse tipo, por
Thomas Newcomen, e, na década de 1760, esse equipamento foi aprimorado por
James Watt.
As
primeiras máquinas que surgiram voltavam-se, principalmente, para atender as
necessidades do mercado têxtil da Inglaterra. Sendo assim, grande parte das
primeiras máquinas criadas veio com o objetivo de facilitar o processo de
produção de roupas. Essas máquinas teciam fios em uma velocidade muito maior
que a do processo manual. Com o tempo e à medida que os grandes capitalistas
chamados de burgueses foram enriquecendo, o lucro de suas indústrias começou a
ser revertido em investimento para o desenvolvimento das estradas de ferro, por
exemplo. O surgimento da locomotiva e da estrada de ferro permitiu que as
mercadorias pudessem ser transportadas com maior rapidez e em maior quantidade.
Isso aconteceu porque o lucro da indústria inglesa era tão alto que permitiu a
diversificação dos investimentos em outros segmentos. A Revolução Industrial causou profundas
transformações no mundo, e uma dessas transformações deu-se no processo
produtivo e no estilo de vida dos trabalhadores. Para que possamos entender
como a vida do trabalhador mudou, precisamos visualizar, antes, as mudanças no
processo de produção de mercadorias utilizando o contexto da produção têxtil.
Antes da
Revolução Industrial, o processo de produção era manufatureiro, ou seja, a
produção acontecia em uma manufatura, na qual a produção era manual e o
trabalhador realizava seu trabalho por meio de sua capacidade artesanal. Com o
desenvolvimento das máquinas, a produção passou a ser parte da maquinofatura,
isto é, a máquina era a grande responsável pela produção. Assim, se, antes da
máquina, a produção necessitava da habilidade artesanal do trabalhador, agora,
isso não era mais necessário porque qualquer trabalhador poderia manejar a
máquina e realizar todo o processo sozinho. Na prática, isso significa que não
era mais necessário um trabalhador com habilidades manuais, e o resultado disso
foi que seu salário diminuiu. Além do salário extremamente baixo, os
trabalhadores eram obrigados a aceitar uma carga de trabalho excessivamente
elevada que, em alguns casos, chegava a 16 horas diárias de trabalho, das quais
o trabalhador só tinha 30 minutos para almoçar. Essa jornada era
particularmente cruel porque todos aqueles que não a aguentassem eram prontamente
substituídos por outros trabalhadores. O trabalho, além de cansativo, era
perigoso, pois não havia nada que protegesse os trabalhadores, e eram comuns os
acidentes que os faziam perder os dedos ou mesmo a mão em casos mais graves. Os
afastados por doenças não recebiam, pois, o salário só era pago para aqueles
que trabalhavam. Os que ficavam fisicamente incapacitados de exercer o serviço
eram demitidos e outros trabalhadores contratados. Na questão salarial,
mulheres e crianças também trabalhavam e seus salários eram, pelo menos, 50%
menores do que os dos homens adultos. Muitos patrões preferiam contratar
somente mulheres e crianças porque o salário era menor (e, por conseguinte, seu
lucro maior) e essas eram mais sujeitas a obedecerem às ordens, sem se rebelarem.
Responda as questões abaixo:
1. O que ocasionou a Revolução Industrial?
2. Quais meios tecnológicos surgiram que revolucionou os meios de transporte e comunicação?
3. Porque a Inglaterra foi pioneira no setor industrial?
4. que combustível foi utilizado na maquina a vapor?
5. quais as classes sociais surgiram nesse seguimento industrial?
Filósofos iluministas
Apresentamos mais 3 (três) pensadores ficaram famosos e tiveram destaque por suas obras e ideias neste período. São eles:
➢ John Locke.
Nasceu em 29 de agosto de 1632 e faleceu em 28 de outubro de 1704. É Considerado o “pai do Iluminismo”. Sua principal obra foi “Ensaio sobre o entendimento humano”, aonde Locke defende a razão afirmando que a nossa mente é como uma tábula rasa sem nenhuma ideia. Defendeu a liberdade dos cidadãos e Condenou o absolutismo.
Ele também defendia que todo ser humano tem direitos naturais, como a liberdade, a felicidade e a prosperidade, que deveriam ser garantidos pelos governos. Estes deveriam nascer de um pacto entre os indivíduos e a sociedade, que aceitaria ser governada para superar os conflitos. Os governantes poderiam ser destituídos caso não correspondessem aos interesses comuns.
Locke também defendeu a separação da Igreja do Estado e a liberdade religiosa, recebendo por estas ideias forte oposição da Igreja Católica.
➢ Jean-Jacques Rousseau.
Nasceu em 28 de Junho de 1712 e faleceu em 2 de julho de 1778 É autor da obra “O contrato social”, na qual afirma que o soberano deveria dirigir o Estado conforme a vontade do povo. Apenas um Estado com bases democráticas teria condições de oferecer igualdade jurídica a todos os cidadãos. Rousseau destacou-se também como defensor da pequena burguesia.
O francês Rousseau afirmava que o poder pertence ao povo e que, portanto, todo governo deveria estar submetido à vontade soberana do povo. Também acreditava que o ser humano, naturalmente bom, é desvirtuado pela sociedade.
➢ Denis Diderot.
Nasceu na França em 5 de outubro de 1713 e faleceu em 31 de Julho de 1784. Foi um importante escritor, enciclopedista e filósofo francês do século XVIII. É considerado uma das principais figuras do Iluminismo. Sua grande obra foi a elaboração editorial da "Enciclopédia", em parceria com d'Alembert entre 1750 e 1772.
Em 1732, recebeu, da Universidade de Paris, o título de mestre em Artes. Nesse curso, Diderot estudou Literatura, Filosofia, Matemática, Lógica, Física, Matemática entre outras disciplinas. Em 1749, foi detido e preso em Vincennes, por ter publicado a obra Carta sobre os cegos.
Pensamentos e ideias mais importantes:
- Importância da Ciência como principal motor do desenvolvimento e progresso humano. - A política deve se incumbir de eliminar as diferenças sociais.
- A religião deve ficar restrita ao campo de formação do comportamento humano.
- A tecnologia é de fundamental importância para o desenvolvimento econômico das nações. - Foi um crítico do Absolutismo e do poder e influência da Igreja na sociedade.
Atividade
1.Após a realização da leitura da vida dos 5 (cinco) importantes filósofos: Voltaire, Montesquieu, John Locke, Rousseau e Diderot. Qual informação chamou mais sua atenção? Justifique sua resposta.
terça-feira, 24 de maio de 2022
SOCIEDADE MEDIEVAL
Mas a característica fundamental dessa sociedade
estava nas relações existentes entre os homens que a compunham. Todo homem, do
mais humilde ao mais poderoso, ligava-se a um outro homem, superior na
hierarquia, que o tomava sob sua proteção em troca de diversas obrigações.
Assim, criava-se um sistema no qual todos os homens estavam subordinados uns
aos outros e ligados entre si por obrigações mútuas.
Sociedade Estamental
Sociedade na qual o indivíduo pertence a uma
categoria com função e lugar específicos, sendo-lhe proibida a passagem de uma
ordem para outra.
Mesmo os grandes senhores deviam obediência pessoal
ao rei, embora, na prática, ela nem sempre se verificasse. E a posição do rei,
por sua vez, dependia quase sempre de suas relações com as autoridades da
Igreja.
Quanto aos indivíduos que não possuíam terras e
que, em troca de proteção, se puseram ao serviço de um senhor, eram os que, de
fato, trabalhavam a terra.
Enfim, a sociedade feudal era uma sociedade fortemente hierarquizada, na qual cada uma das camadas sociais devia estar ciente de suas funções, seus direitos e deveres. Afinal, segundo justificativa da Igreja Católica, “o próprio Deus quis que, entre os homens, alguns fossem senhores e outros, servos, de modo que os senhores venerem e amem a Deus e que os servos amem e venerem o seu senhor”.
O que era o
feudalismo?
Suserania e Vassalagem
Em seu governo, Carlos Magno costumava doar terras
aos membros de sua nobreza, que, em troca, juravam prestar-lhe serviços, principalmente
militares. Com essa atitude o imperador se tornava o suserano – aquele que na Idade Média feudal doava a terra – de uma
série de vassalos – aqueles que
recebiam a doação.
Os nobres que recebiam as terras passaram a ter
imunidades contra qualquer interferência do rei em suas propriedades rurais,
exceto quando desrespeitavam as obrigações.
A terra doada tornava-se um feudo, ou seja, uma propriedade onde o seu dono estava investido de
poderes políticos e jurídicos, mantendo, com seu suserano, um compromisso
militar.
A autoridade política e jurídica dos senhores
feudais em sua propriedade rural era indiscutível e foi exercida durante quase
toda a Era Feudal, superando o poder do rei. Essa transferência do poder das
mãos do rei para as mãos dos senhores feudais tornou-se a característica
política fundamental do feudalismo.
Na Era Feudal, o sistema de concessão de feudos se
estendeu, tornando-se comum um grande proprietário conceder parte de suas
terras a outro nobre. A subordinação entre os senhores feudais variava de
acordo com a posição que cada um ocupava na hierarquia da nobreza, dividida em
alta nobreza — duques, condes e marqueses — e baixa nobreza — barões e
cavaleiros.
As obrigações entre os membros dessa elite
aristocrata, que valorizava a guerra e a prática militar, eram estabelecidas
através de um juramento de fidelidade, que mais uma vez remontava ao comitatus germânico, feito numa
cerimônia denominada homenagem.
De acordo com o contrato feudal aí estabelecido:
• o suserano se obrigava a dar proteção e apoio
jurídico a seu vassalo;
• os vassalos, por sua vez, juravam participar do
exército particular do suserano e contribuir com dinheiro para resgatá-lo, caso
fosse feito prisioneiro, bem como para armar cavaleiro um filho do suserano e
para o dote de uma filha deste quando ela se casasse.
A organização do
feudo.
As grandes unidades rurais chamadas feudos
abrigavam os bosques, os pastos, as terras para o cultivo, o castelo
fortificado, uma igreja ou capela e as aldeias desprovidas de fortificações.
Dessas aldeias saíam os servos de madrugada para o trabalho agrícola, cuidar do
gado ou, ainda, colher frutos nos bosques, caçar e pescar, já que a caça e a
pesca eram parte substancial de sua alimentação.
As terras nessas grandes propriedades estavam
divididas em três partes:
• bosques e pastos de utilização comum pelo senhor
e pelos servos;
• manso senhorial, de uso exclusivo do senhor;
• manso servil, onde os servos trabalhavam pagando
ao senhor com produtos e prestação de serviços em troca do uso da terra.
Nas terras reservadas ao cultivo, era praticada uma
agricultura de subsistência, ou seja, voltada para o consumo da comunidade.
O comércio era local geralmente feito à base de
troca e cada feudo tinha sua própria moeda, cuja circulação se restringia à sua
comunidade.
Nos primeiros séculos do feudalismo, a agricultura
era praticada fazendo-se o rodízio das áreas cultivadas, conhecido como sistema
de dois campos. Nesse sistema, a cada ano, um dos dois campos era cultivado e o
outro ficava descansando para recuperar a fertilidade.
Uma pequeníssima parte das atividades agrícolas era
executada por um reduzido número de trabalhadores livres conhecidos como
vilões, que também eram obrigados a dar parte do que produziam ao dono da
propriedade. Mas, ao contrário dos servos, os vilões tinham a liberdade de
deixar a terra quando quisessem. Além disso, os bens que eles acumulavam lhes
pertenciam inteiramente.
Os camponeses compunham a imensa maioria de servos.
Embora os vários países da Europa feudal apresentassem diferentes tipos de vida no campo, os servos em geral compunham a grande quantidade de produtores agrícolas dependentes e presos à terra e às obrigações que lhes eram impostas pelos senhores feudais, como a talha, a corvéia e as banalidades:
• a talha
consistia na obrigação dos camponeses de darem ao senhor da propriedade uma
parte do que produziam, que em geral correspondia à metade;
• a corvéia era
a obrigação de trabalharem sem remuneração alguns dias da semana nas áreas de
cultivo reservadas ao senhor;
• as
banalidades eram os pagamentos obrigatórios que eles faziam ao senhor pelo
uso da destilaria, do forno, do celeiro, do moinho.
Todas essas obrigações, somadas à doação do dízimo
(10%) da sua produção à Igreja, resultavam em aflitivos dramas sociais,
principalmente a fome e a miséria, que levavam os servos a revoltas freqüentes.
A principal função dos servos era produzir para satisfazer as suas próprias necessidades, bem como as daqueles para os quais o trabalho era uma atividade destinada exclusivamente às camadas consideradas socialmente inferiores.
Atividades
1. Dentre as características do feudalismo, podemos assinalar:
a) A existência de uma forte concentração de poder nas mãos dos Monarcas.
b) Uma forte monetarização das relações econômicas, favorecendo o crescimento dos núcleos urbanos.
c) Uma base econômica voltada ao comércio entre os vários feudos existentes.
d) Uma sociedade fundamentalmente estamental, em que os grupos sociais, senhores e servos, tinham status fixo.
2. Qual a diferença entre um vassalo e um suserano na sociedade feudal?
3. Explique a sociedade estamental:
4. Como o feudo estava organizado?
5. Como era o comercio nos feudos?
6. Quais eram as obrigações dos servos?
7. O que era o sistema de dois campos?
8. Quem foram os vilões?
9. Explique como era a cerimônia denominada homenagem:
10. Assinale V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas.
( ) A Igreja Católica teve pouca influência durante a Idade Média na Europa.
( ) O número de escravizados aumentou durante o feudalismo em comparação com a quantidade existente no período do Império Romano.
( ) Durante o período do feudalismo na Idade Média, a economia era baseada nas atividades rurais.
( ) O clero possuía vastas propriedades durante o período feudal.
( ) As relações de suserania e vassalagem não poderiam acontecer entre nobres.
a) V-F-F-F-V.
b) F-F-F-V-F.
c) V-V-V-V-F.
d) F-F-V-V-F.
SOMOS TODOS DA IDADE MEDIA
SOMOS TODOS DA IDADE MÉDIA
Pouca gente se dá conta, mas
muitos hábitos, conceitos e objetos tão presentes no nosso dia-a-dia, inclusive
o próprio idioma que falamos, vêm daquela época.
Muitos professores consideram
especialmente árdua a tarefa de ensinar História Medieval. A distância que
separa os alunos de época tão remota, argumentam alguns, seria um dos
principais obstáculos. Como despertar seu interesse por tema tão antigo? Como
passar às novas gerações conceitos, idéias e fatos que, aparentemente, têm tão
pouco a ver com o mundo de hoje? Mas seria bem diferente se eles mostrassem a
seus discípulos que, como veremos a seguir, e embora muita gente não se dê
conta, nosso próprio cotidiano está impregnado de hábitos, costumes e objetos
que vêm de muito mais longe do que se pode imaginar.
Ao tratarmos da História do Brasil, por exemplo, a tendência é começar no dia 22 de abril de 1500, quando Pedro Álvares Cabral e os tripulantes de sua esquadra “descobriram” nossa terra. Mas aqueles homens não traziam atrás de si, dentro de si, toda uma história? Não trouxeram para cá amplo conjunto de instituições, comportamentos e sentimentos? Aquilo que é até hoje o Brasil não tem boa parte da sua identidade definida pela longa história anterior de seus “descobridores”? Dizendo de outro modo, nossas raízes são medievais, percebamos ou não este fato.
Pensemos num dia comum de uma pessoa comum. Tudo começa com algumas invenções medievais: ela põe sua roupa de baixo (que os romanos conheciam mas não usavam), veste calças compridas (antes, gregos e romanos usavam túnica, peça inteiriça, longa, que cobria todo o corpo), passa um cinto fechado com fivela (antes ele era amarrado). A seguir, põe uma camisa e faz um gesto simples, automático, tocando pequenos objetos que também relembram a Idade Média, quando foram inventados, por volta de 1204: os botões. Então ela põe os óculos (criados em torno de 1285, provavelmente na Itália) e vai verificar sua aparência num espelho de vidro (concepção do século XIII). Por fim, antes de sair olha para fora através da janela de vidro (outra invenção medieval, de fins do século XIV) para ver como está o tempo.
Ao chegar na escola ou no trabalho, ela consulta um calendário e verifica quando será, digamos, a Páscoa este ano: 23 de março de 2008. Assim fazendo, ela pratica sem perceber alguns ensinamentos medievais. Foi um monge do século VI que estabeleceu o sistema de contar os anos a partir do nascimento de Cristo. Essa data (25 de dezembro) e o dia de Páscoa (variável) também foram estabelecidos pelos homens da Idade Média. Mais ainda, ao escrever aquela data – 23/3/2008 –, usamos os chamados algarismos arábicos, inventados na Índia e levados pelos árabes para a Europa, onde foram aperfeiçoados e difundidos desde o começo do século XIII. O uso desses algarismos permitiu progressos tanto nos cálculos cotidianos quanto na matemática, por serem bem mais flexíveis que os algarismos romanos anteriormente utilizados. Por exemplo, podemos escrever aquela data com apenas sete sinais, mas seria necessário o dobro em algarismos romanos (XXIII/III/MMVIII).
Para começar a trabalhar, a pessoa possivelmente abrirá um livro para procurar alguma informação, e assim homenageará de novo a Idade Média, época em que surgiu a idéia de substituir o incômodo rolo no qual os romanos escreviam. Com este, quando se queria localizar certa passagem do texto, era preciso desenrolar metros de folhas coladas umas nas outras. Além disso, o rolo desperdiçava material e espaço, pois nele se escrevia apenas de um lado das folhas. O formato bem mais interessante do livro ficou ainda melhor com a invenção da imprensa, em meados do século XV, que permitiu multiplicar os exemplares e assim barateá-los. Tendo encontrado o que queria, a pessoa talvez pegue uma folha em branco para anotar e, outra vez, faz isso graças aos medievais. Deles recebemos o papel, inventado anteriormente na China, mas popularizado na Europa a partir do século XII. Mesmo ao passar suas idéias para o computador, a pessoa não abandona a herança medieval. O formato das letras que ali aparecem, assim como em jornais, revistas, livros e na nossa caligrafia, foi criado por monges da época de Carlos Magno.
Sentindo fome, a pessoa levanta os olhos e consulta o relógio na parede da sala, imitando gesto inaugurado pelos medievais. Foram eles que criaram, em fins do século XIII, um mecanismo para medir o passar do tempo, independentemente da época do ano e das condições climáticas. Sendo hora do almoço, a pessoa vai para casa ou para o restaurante e senta-se à mesa. Eis aí outra novidade medieval! Na Antiguidade, as pessoas comiam recostadas numa espécie de sofá, apoiadas sobre o antebraço. Da mesma forma que os medievais, pegamos os alimentos com colher (criada aproximadamente em 1285) e garfo (século XI, de uso difundido no XIV). Terminada a refeição, a pessoa passa no banco, que, como atividade laica, nasceu na Idade Média. Depois, para autenticar documentos, dirige-se ao cartório, instituição que desde a Alta Idade Média preservava a memória de certos atos jurídicos (“escritura”), fato importante numa época em que pouca gente sabia escrever.
À noite, enfim, a pessoa vai à universidade, instituição que em pleno século XXI ainda guarda as características básicas do século XII, quando surgiu. As aulas, com freqüência, são dadas a partir de um texto que é explicado pelo professor e depois debatido pelos alunos. Alguns deles recebem um auxílio financeiro para poderem estudar, como no colégio fundado pelo cônego Roberto de Sorbon (1201-1274) e que se tornaria o centro da Universidade de Paris. Depois de mais um dia de trabalho e estudo, algumas pessoas querem relaxar um pouco e passam na casa de amigos para jogar cartas, divertimento criado em fins do século XIV, como lembram os desenhos dos naipes e a existência de reis, rainhas e valetes. Outros preferem manter a mente bem ativa e vão praticar xadrez, jogo muito apreciado pela nobreza feudal, daí a presença de peças como os bispos, as torres e as rainhas.
Durante todas essas atividades, pensamos, falamos, lemos e escrevemos em português, sem, na maioria das vezes, nos darmos conta de que esse elemento central do patrimônio cultural brasileiro vem da Idade Média. E não só porque a nossa língua nasceu em Portugal medieval. Como qualquer língua, com o passar do tempo o português falado na sua terra de origem foi se alterando bastante. Muitas características do idioma falado hoje em dia em Portugal – inclusive o que chamamos de sotaque daquele povo – são do século XIX. Mas no Brasil aquele idioma foi introduzido no século XVI por colonos que falavam da mesma forma que cem ou duzentos anos antes, isto é, como em Portugal medieval. Além disso, sendo o Brasil muito vasto e muito distante da metrópole portuguesa, as lentas transformações na língua demoravam mais para chegar aqui. Em resumo, falamos hoje um português mais parecido com o da Idade Média do que com o de Portugal moderno.
Estudos recentes mostraram que idosos analfabetos do interior de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo usavam, em fins do século XX, formas do português dos séculos XIII-XVI. Essas pessoas ainda falam esmolna em vez de “esmola”, pessuir e não “possuir”, despois no lugar de “depois”, preguntar para dizer “perguntar”. Contudo, não se trata propriamente de erros, e sim de exemplos de manutenção de formas antigas, levadas àqueles locais pelos bandeirantes nos séculos XVI e XVII. Devido ao isolamento e à pobreza daquelas regiões, esse modo de falar prolongou-se pelos séculos seguintes.
Basta uma rápida olhada em qualquer aglomerado humano no Brasil, seja no metrô, num estádio de futebol ou simplesmente nas ruas, para se constatar o que todos sabemos: a população brasileira tem alto grau de mestiçagem. Nada estranho, já que a terra era habitada por diferentes tribos indígenas quando os portugueses aqui chegaram, e logo foram introduzidos muitos escravos africanos. O que se ignora com freqüência, porém, é que se os dominadores portugueses aceitaram com facilidade a mestiçagem, é porque ela fazia parte da sua prática social havia muito tempo. Eles resultavam da mistura entre celtas, romanos, germanos, berberes (população do norte africano), árabes, judeus e negros. Importantes historiadores já afirmaram que, pelo menos até o século XIV, os mouros não devem ser considerados uma etnia, e sim uma minoria religiosa, porque, em termos raciais, não havia diferença entre portugueses cristãos e portugueses muçulmanos. Portanto, os portugueses já eram mestiços ao chegarem à América, o que facilitou a mistura racial na colônia.
Estudar História – de qualquer época e de qualquer local – não deve ser tarefa utilitarista, não deve “servir” para alguma coisa específica. A função de seu estudo é mais ampla e importante; é desenvolver o espírito crítico, é exercitar a cidadania. Ninguém pode atingir plenamente a maturidade sem conhecer a própria história, e isso inclui, como não poderia deixar de ser, as fases mais recuadas do nosso passado. Assim, estudar História Medieval é tão legítimo quanto optar por qualquer outro período. Mas não se deve, é claro, desprezar pedagogicamente a relação existente entre a realidade estudada e a realidade do estudante. Neste sentido, pode ser estimulante mostrar que, mesmo no Brasil, a Idade Média, de certa forma, continua viva.
( Hilario Franco Junior)
1) Com base em seus conhecimentos e no texto, explique por que a Idade Média não pode ser classificada como a “Idade das trevas."?
2) Qual é a principal ideia defendida pelo texto?
3) Cite três objetos do nosso cotidiano que tiveram origem na Idade Média.
4) Quem estabeleceu a contagem dos anos a partir do nascimento de Cristo?
5) Qual foi a importância da invenção da imprensa no século XV?
6) Segundo o texto, por que o português falado no Brasil é semelhante ao português medieval?
7) Hilário Franco Jr. aponta em seu texto uma série de hábitos e tradições herdados do Medievo. Quais outras práticas medievais podem ser apontadas como relevantes até os dias atuais? (Cite ao menos duas).
8) Que parte do texto lhe chamou mais atenção? Explique por que:
9) O texto é jornalístico, literário, filosófico, jurídico ou historiográfico?
10) De que forma o autor do texto tenta demonstrar aquilo que afirma?
11) Por que os portugueses aceitaram mais facilmente a miscigenação na América?



