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terça-feira, 21 de outubro de 2025

As cruzadas

 

 Idade Média – As Cruzadas

• O que foram as Cruzadas?

    As Cruzadas foram campanhas militares organizadas pela Igreja Católica na Idade Média, com o propósito principal de combater os muçulmanos e conquistar a Terra Santa, especialmente Jerusalém.

Figura 1- Ilustração que representa uma das batalhas das Cruzadas, publicada na obra de Guilherme de Tiro, séc. XIV.

• A Origem das Cruzadas

    Nesse período, o mundo cristão estava dividido entre duas principais igrejas: a Igreja Católica, liderada pelo Papa com sede em Roma, e a Igreja Ortodoxa, liderada pelo Patriarca em Constantinopla.

      No final do século XI, os cristãos ortodoxos enfrentavam ameaças dos muçulmanos, que avançavam da Península Arábica e conquistavam territórios na atual Turquia, aproximando-se de Constantinopla. Diante desse cenário, o Patriarca de Constantinopla solicitou auxílio militar aos católicos para defender os territórios cristãos contra os "infiéis". Em resposta a esse apelo, o Papa Urbano II convocou as Cruzadas em 1096 durante o Concílio de Clermont.

Figura 2 - Papa Urbano II pregando a Primeira Cruzada. Imagem feita em 1852.

     Além de prestar auxílio aos ortodoxos, as Cruzadas tinham como objetivo recuperar o controle da Terra Santa, que compreendia os lugares associados à vida de Jesus Cristo. Esses territórios, especialmente a cidade de Jerusalém, estavam sob domínio muçulmano desde o século VII d.C. O papado via na mobilização de soldados para as Cruzadas uma oportunidade para reconquistar essa região sagrada para os cristãos.

• Características das Cruzadas

       Ao todo, ocorreram oito Cruzadas entre 1096 e 1270 d.C. Cada cruzada reunia milhares de soldados que partiam da Europa em direção ao Oriente, prontos para o combate contra os denominados "infiéis".

    O grande número de participantes nas cruzadas comprova força da Igreja na Europa Medieval. Muitos indivíduos aceitavam ir à guerra em nome de sua fé e confiavam nas palavras do Papa. O apelo à mobilização para as Cruzadas ganhava ainda mais força, pois afirmava-se que os participantes receberiam graças religiosas, como o perdão de seus pecados ou até mesmo um lugar no céu em caso de morte.

     O próprio nome “Cruzada” vem de seu aspecto religioso, já que os soldados se diziam “Soldados de Cristo” e usavam mesmo a cruz em suas roupas e armaduras. No entanto, o nome “Cruzada” só foi usado com frequência a partir do século XIII d.C. Antes disso, referiam-se à mobilização de soldados como “Expedição da Cruz” ou “Guerra Santa”.

     Por fim, ainda que muitos tenham ido por motivos religiosos, outros ingressaram nas Cruzadas em busca de riqueza ou fugindo de sua vida e problemas na terra natal. Havia também aqueles que sonhavam em conquistar novas terras, aproveitando-se da força dessas numerosas tropas católicas.

• Principais Cruzadas

     A Primeira Cruzada ocorreu entre 1096 e 1099, e foi uma das mais bem-sucedidas. Muitas pessoas das regiões que hoje são a Itália e da França se uniram a ela, e os muitos soldados conseguiram ganhar batalhas importantes no Oriente. Eles até reconquistaram a Terra Santa por algum tempo, criando quatro estados católicos nessa área. No entanto, esses estados não conseguiram resistir por muito tempo aos ataques dos muçulmanos.



Figura 3 - Imagem da Conquista de Jerusalém em 1099 d.C., presente num manuscrito datado entre os sécs. XIV e XV.

      As outras cruzadas não conseguiram retomar a Terra Santa, principalmente devido à força militar dos muçulmanos. No entanto, duas cruzadas se destacaram por sua singularidade.

          A primeira foi a Cruzada dos Mendigos, que aconteceu em 1096. Nessa expedição, milhares de mendigos, camponeses empobrecidos, miseráveis e doentes se juntaram e partiram para o Oriente, enxergando na cruzada uma chance de buscar uma vida melhor. Contudo, devido aos seus armamentos precários e falta absoluta de treinamento, foram brutalmente derrotados pelas tropas muçulmanas, ainda na região da Turquia.

           Por sua vez, a Cruzada das Crianças (1212) também ficou muito conhecida. Nesse período, difundiu-se a ideia de que apenas pessoas puras poderiam realizar a conquista da Terra Santa. Assim, acreditavam que as crianças seriam mais aptas para realizar o feito, já que teriam poucos pecados. No entanto, a cruzada também fracassou e as crianças tiveram um trágico final.

• Consequências das Cruzadas

        Ainda que tenham contado com milhares de soldados, as Cruzadas não conseguiram reconquistar a Terra Santa de forma duradoura. Contudo, elas provocaram mudanças importantes na Europa.

           A Primeira consequência foi o contato com produtos raros na Europa, como o café, o açúcar, o cravo e a noz-moscada. Essas especiarias eram trazidas pelos soldados sobreviventes e se popularizaram na Europa, abrindo caminho para novas rotas de comércio entre o Oriente e o Ocidente.

      Outra consequência foi um enfraquecimento da nobreza. Como muitos nobres morreram em combate nas cruzadas, seu domínio na Europa e nos feudos foi abalado. Isso contribuiu para o enfraquecimento do sistema feudal como um todo.

         Por último, as cruzadas permitiram o acesso dos europeus a novos conhecimentos. Mesmo através das guerras, os Cruzados entraram em contato com saberes avançados de medicina, filosofia, astronomia e matemática presentes no mundo árabe. Muitas obras inclusive foram trazidas pelos soldados e traduzidas na Europa, permitindo um avanço científico importante na Europa medieval.

Exercícios

1. Com suas palavras, explique o que foram as Cruzadas e quais era seu objetivo.

2. Por que essas expedições levavam o nome de “Cruzadas”?

3. Cite e explique duas das principais Cruzadas.

4. Explique duas consequências das Cruzadas para a Europa.

5. Leia o discurso do Papa Urbano II em 1096 d.C. abaixo e responda: Quais argumentos foram utilizados para convencer as pessoas a participarem dessas guerras?

“Após ter prometido a Deus manter a paz em suas terras e ajudar fielmente a Igreja, vocês poderão ser recompensados empregando sua coragem noutro empreendimento. Trata-se de um negócio de Deus. É preciso que sem demora vocês partam em socorro de seus irmãos do Oriente. (...) A todos os que partirem e morrerem no caminho, em terra ou mar, ou que perderem a vida combatendo os pagãos, será concedida a remissão dos pecados. Que sejam doravante cavaleiro de Cristo que não eram senão bandoleiros. A terra que habitam é estreita e miserável, mas no território sagrado do Oriente há extensões de onde jorram leite e mel.”

FRANCO JÚNIOR, Hilário. As Cruzadas. São Paulo: Moderna, 1999, pp. 26-27. Adaptado.


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

A Igreja na Idade Média

 A Igreja na Idade Média

* Proteção e defesa

     Durante a Idade Média a Igreja Católica aumentou muito o seu poder, passando a controlar a mentalidade medieval, definindo a maneira de viver e de pensar de toda a sociedade.

Os bens materiais da Igreja Católica começaram a ser acumulados a partir da cobrança do dízimo (10%) sobre os produtos cultivados pelos camponeses e das doações feitas pelos fiéis, cujo exemplo maior foi às terras que compuseram o Patrimônio de São Pedro.

     Já o poder da Igreja Católica sobre os homens e as almas deveu-se ao seu vigoroso trabalho de conversão dos germanos, ao predomínio cultural do clero e principalmente à sua capacidade de organização. Foi essa indiscutível organização que lhe possibilitou transformar o cristianismo no grande princípio unificador da civilização cristã européia. Isso ocorreu mesmo durante os primeiros séculos da Idade Média, em que as invasões, as destruições e o medo generalizado geravam uma permanente instabilidade na vida social do europeu.

    O poder espiritual da Igreja Católica deveu-se também, e talvez principalmente, a suas doutrinações religiosas. De acordo com um de seus preceitos básicos, o ser humano carrega em si uma pesada carga de pecados e, para se livrar deles e obter a salvação, deve recorrer à Igreja e se submeter a seus sacramentos, em especial ao batismo e à eucaristia.

      O batismo é um sacramento pelo qual o indivíduo fica livre do pecado original de Adão e Eva, o que torna possível sua salvação. Ele teria sua origem na religião persa, na qual era acompanhado de uma refeição sagrada, com pão, água e possivelmente vinho.

       A eucaristia ou sagrada comunhão é o momento do ritual católico em que o pão e o vinho são consagrados e transformados no corpo e no sangue de Cristo.

       A Igreja Romana define o sacramento como um meio pelo qual a graça divina é comunicada ao homem e à mulher. Segundo ela, nenhum indivíduo pode salvar-se sem os sacramentos, que permanecem sempre puros, mesmo quando são ministrados por sacerdotes de caráter considerado indigno pelos fiéis.

      Contribuíram também para a propagação da fé cristã a confissão e a penitência, com as quais, segundo a Igreja, o ser humano se reconcilia com Deus. Ao confessar os atos cometidos contra os princípios da Igreja e ao realizar a penitência imposta pelo confessor (consistindo, na maioria das vezes, em orações), o fiel obtém a absolvição de seus pecados.

       Além dos sacramentos, a Igreja Católica exigia o culto aos santos e pregava insistentemente a existência do demônio, figura geradora de medos e angústia e de cuja força e poder o ser humano pode se livrar com a ajuda dos santos e a proteção da Igreja. Ela adotou também guardar alguns dias considerados santos, em especial o dia 25 de dezembro, uma data consagrada pelos persas como o “dia do nascimento do Sol” e que, para os cristãos em geral, simboliza o “dia do nascimento de Cristo”. A extensão da autoridade da Igreja sobre a comunidade cristã européia foi também ampliada através da excomunhão e do interdito, duas poderosas armas usadas por ela para impor seu domínio e a obediência aos dogmas.

   A excomunhão era aplicada aos que assumiam posições heréticas e/ou negavam a autoridade papal, fosse no campo espiritual ou no temporal. Com ela a Igreja proibia o indivíduo de participar de qualquer atividade religiosa, de ser enterrado em cemitério cristão, de receber os sacramentos, incluindo a extrema-unção, e, se o excomungado morresse sem se arrepender de sua atitude contra os interesses gerais do papado, sua alma seria condenada aos tormentos do Inferno.

   Os demais cristãos ficavam proibidos de prestar solidariedade ao excomungado e de conviver com ele, sob pena de serem condenados ao mesmo tipo de castigo.

     Em geral quando excomungava um rei, um imperador ou um nobre poderoso, a Igreja impunha também o interdito, pelo qual suspendia todas as cerimônias religiosas na comunidade aldeia, cidade, província ou mesmo reino. Quando era decretado, a população local, aterrorizada, fazia pressão para que o governante excomungado aceitasse as determinações do papado e a livrasse do castigo da interdição.etc. —, os monges devem levar uma vida disciplinada pela oração, pelo trabalho e pela obediência às regras de sua ordem.

* O clero secular e o clero regular.

      No século VI foi implantado no Ocidente a primeira ordem religiosa: a Ordem dos Beneditinos.

     Essa ordem surgiu em Monte Cassino, na Itália, em 534, com a fundação de um mosteiro por São Bento. Com essa fundação iniciou-se a vida monástica na Europa, e o clero passou a dividir-se em clero secular e clero regular.

      O clero secular (seculare, em latim) é assim chamado porque os seus integrantes vivem em contato direto com o mundo (seculum).

      Já o nome clero regular é devido ao fato de seus integrantes os monges — obedecerem a determinadas regras (regula, em latim) da ordem a que pertencem. Em todas as ordens religiosas beneditinos, franciscanos, dominicanos, agostinianos, carmelitas

   Nos mosteiros, o trabalho passou a ser encarado pelos monges como uma espécie de culto divino. Unindo o trabalho manual ao intelectual, eles conservaram a cultura clássica greco-romana, criando bibliotecas e oficinas de reprodução de antigos manuscritos.

      Eles faziam votos de pobreza, de obediência e de castidade, e se dedicavam aos pobres e ao ensino, além de trabalhar e orar pela salvação dos outros homens e da sua própria. Em geral hospitaleiros, transformaram os mosteiros em lugares de refúgio e proteção para os enfermos, os desvalidos, as mulheres, os viajantes e foram os principais responsáveis pela conversão dos bárbaros germanos ao cristianismo, criando assim as bases da civilização cristã européia.

Leia o texto e responda:

1. De que forma a Igreja se organizou, possibilitando transformar o cristianismo no grande princípio unificador da civilização cristã européia?

2. Que preceitos a Igreja usou para centrar seu poder espiritual e impor suas doutrinações religiosas?

3. Qual era o papel dos sacramentos dentro da Igreja Católica?

4. Alem dos sacramentos que outros preceitos a Igreja pregava aos fiéis?

5. A extensão da autoridade da Igreja sobre a comunidade cristã européia foi também ampliada através de duas poderosas armas usadas por ela para impor seu domínio e a obediência aos dogmas. Que armas foram essas? Explique-as:

6. A vida monástica da Igreja dividiu-se em duas partes. Cite quais são:

7. O que eram os mosteiros?

8. Como era o trabalho nos mosteiros?


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Guerra Fria - EUA x URSS

 A Guerra Fria

     A Guerra Fria teve início logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1945, pois os Estados Unidos e a União Soviética vão disputar a hegemonia política, econômica e militar no mundo.

   Para muitos existem três datas para o final do conflito:

1989 – A queda do muro de Berlim.

1990 – A Reunificação da Alemanha.

1991 – O fim da URSS.

   Com o fim do conflito foi criada a ONU – Organização das Nações Unidas, sediada em Nova Iorque, com a finalidade de revelar o progresso da humanidade e manter a paz mundial.

  Segundo consta, de 1945 até 1995 já ocorreram cerca de 128 conflitos mundiais que levaram 25 milhões de vidas; porém, uma guerra em escala mundial não ocorreu. Os dois países líderes da Guerra Fria são os EUA e a URSS.

  A União Soviética possuía um sistema socialista, baseado na economia planificada, partido único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. Já os Estados Unidos, a outra potência mundial, defendia a expansão do sistema capitalista, baseado na economia de mercado, sistema democrático e propriedade privada. Da segunda metade da década de 1940 até 1989, estas duas potências tentaram implantar em outros países os seus sistemas políticos e econômicos.

  A definição para a expressão guerra fria é de um conflito que aconteceu apenas no campo ideológico, não ocorrendo um embate militar declarado e direto entre os EUA e a URSS. Até mesmo porque estes dois países estavam armados com centenas de mísseis nucleares. Um conflito armado direto significaria o fim dos dois países e, provavelmente, da vida no planeta Terra. Porém, ambos acabaram alimentando conflitos em outros países, como, por exemplo, na Coreia e no Vietnã.

Paz Armada

  Na verdade, uma expressão explica muito bem este período: a existência da Paz Armada. As duas potências envolveram-se numa corrida armamentista, espalhando exércitos e armamentos em seus territórios e nos países aliados. Enquanto houvesse um equilíbrio bélico entre as duas potências, a paz estaria garantida, pois haveria o medo do ataque inimigo. O problema maior era que diferentemente da época anterior à Primeira Guerra Mundial, temos agora uma corrida armamentista nuclear.

  Nesta época, formaram-se dois blocos militares, cujo objetivo era defender os interesses militares dos países membros.

  O que caracterizou a Guerra Fria foi a bipolarização nas relações mundiais O mundo ficou dividido entre dois grandes blocos opostos e rivais, liderados pelas superpotências que emergiram fortalecidas ao término da Segunda Guerra Mundial: os Estados Unidos e a União Soviética. Os EUA lideravam o bloco capitalista, e a URSS, o bloco socialista. 

  A OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte (surgiu em abril de 1949) era liderada pelos Estados Unidos e tinha suas bases nos países membros, principalmente na Europa Ocidental. Alguns países membros da OTAN: Estados Unidos, Canadá, Itália, Inglaterra, Alemanha Ocidental, França, Suécia, Espanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Grécia e Turquia.

   Já do outro lado havia o Pacto de Varsóvia que era comandado pela União Soviética e defendia militarmente os países socialistas.

  Alguns países membros do Pacto de Varsóvia: URSS, Cuba, China, Coreia do Norte, Romênia, Alemanha Oriental, Albânia, Tchecoslováquia e Polônia.

Corrida Espacial

  EUA e URSS travaram uma disputa muito grande no que se refere aos avanços espaciais. Ambos corriam para tentar atingir objetivos significativos nesta área. Isso ocorria, pois havia uma certa disputa entre as potências, com o objetivo de mostrar para o mundo qual era o sistema mais avançado. No ano de 1957, a URSS lança o foguete Sputnik com um cão dentro, o primeiro ser vivo a ir para o espaço. Doze anos depois, em 1969, o mundo todo pôde acompanhar pela televisão a chegada do homem à lua, com a missão espacial norte-americana.

Macartismo

  Os EUA liderou uma forte política de combate ao socialismo em seu território e no mundo. Usando os meios de comunicação, tais como o cinema, a televisão, os jornais, as propagandas e até mesmo as histórias em quadrinhos, divulgou uma campanha valorizando o “american way of life”. Vários cidadãos americanos foram presos ou marginalizados por defenderem ideias próximas ao socialismo. O Macartismo, comandado pelo senador republicano Joseph McCarthy, perseguiu muitas pessoas nos EUA. Essa ideologia também chegava aos países aliados dos EUA, como uma forma de identificar o socialismo com tudo que havia de ruim no planeta.

  Macarthismo foi um movimento iniciado nos Estados Unidos em 1951 pelo senador Joseph McCarthy, esse movimento tinha como finalidade perseguir as pessoas que eram a favor do comunismo, e também as pessoas que realizavam atividades antinorte-americanas. Esse intenso movimento deu-se por causa da política norte-americana, e a disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética na Guerra Fria pela hegemonia do planeta após a Segunda Guerra Mundial.

  Na URSS não foi diferente, já que o Partido Comunista e seus integrantes perseguiam, prendiam e até matavam todos aqueles que não seguiam as regras estabelecidas pelo governo. Sair destes países, por exemplo, era praticamente impossível. Um sistema de investigação e espionagem foi muito usado de ambos os lados. Enquanto a espionagem norte-americana cabia aos integrantes da CIA, os funcionários da KGB faziam os serviços secretos soviéticos.

“Cortina de Ferro”

  Após a Segunda Guerra, a Alemanha foi dividida em duas áreas de ocupação entre os países vencedores. A República Democrática da Alemanha, com capital em Berlim, ficou sendo zona de influência soviética e, portanto, socialista. A República Federal da Alemanha, com capital em Bonn (parte capitalista), ficou sob a influência dos países capitalistas. 

  A cidade de Berlim foi dividida entre as quatro forças que venceram a guerra : URSS, EUA, França e Inglaterra. No final da década de 1940 é levantado Muro de Berlim, para dividir a cidade em duas partes: uma capitalista e outra socialista. É a vergonhosa “cortina de ferro”.

Plano Marshall e COMECON

  As duas potências desenvolveram planos para desenvolver economicamente os países membros. No final da década de 1940, os EUA colocaram em prática o Plano Marshall, oferecendo ajuda econômica, principalmente através de empréstimos, para reconstruir os países capitalistas afetados pela Segunda Guerra Mundial. Já o COMECON foi criado pela URSS, em 1949, com o objetivo de garantir auxílio mútuo entre os países socialistas.

Envolvimentos Indiretos

  Guerra da Coreia: Entre os anos de 1951 e 1953, a Coreia foi palco de um conflito armado de grandes proporções. Após a Revolução Maoísta ocorrida na China, a Coreia sofre pressões para adotar o sistema socialista em todo seu território. A região sul da Coreia resiste e, com o apoio militar dos Estados Unidos, defende seus interesses. A guerra dura dois anos e termina, em 1953, com a divisão da Coreia no paralelo 38. A Coreia do Norte ficou sob influência soviética e com um sistema socialista, enquanto a Coreia do Sul manteve o sistema capitalista.

Guerra do Vietnã: Este conflito ocorreu entre 1959 e 1975 e contou com a intervenção direta dos EUA e URSS. Os soldados norte-americanos, apesar de todo aparato tecnológico, tiveram dificuldades em enfrentar os soldados vietcongues (apoiados pelos soviéticos) nas matas do país. Milhares de pessoas, entre civis e militares, morreram nos combates. Os EUA saíram derrotados e tiveram que abandonar o território vietnamita de forma vergonhosa em 1975. O Vietnã unificado passou a ser socialista.

Fim da Guerra Fria

  A falta de democracia, o atraso  econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por acelerar a crise do socialismo no final da década de 1980. Em 1989 cai o Muro de Berlim e as duas Alemanhas são reunificadas. No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética Gorbachev começou a acelerar o fim do socialismo naquele país e nos aliados.    Com reformas econômicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi se enfraquecendo. Era o fim de um período de embates políticos, ideológicos e militares.    O capitalismo vitorioso, aos  poucos, iria sendo implantado nos países socialistas.


1. Qual o objetivo da ONU?

2. Explique como funcionam os sistemas governamentais socialismo e capitalismo:

3. Qual a definição de guerra fria?

4. Que países ocorreu entre quais países? Que outros conflitos foram influenciados pelos mesmos?

5. Explique o termo “Paz Armada”:

6. Quais eram os objetivos da OTAN  e do Pacto de Varsóvia?

7. O que foi a bipolarização mundial na guerra fria?

8. Por que EUA e URSS travaram uma corrida espacial?

9. O macartismo na década de 1950 nos Estados Unidos foi um movimento que visava:

a) conceder oportunidades de igualdades às minorias negras norte-americanas.

b) afastar de cargos públicos e de posições importantes na economia e na sociedade elementos que pudessem ter simpatias pelo regime soviético.

c) levar à presidência o senador Douglas McArthur, o comandante-em-chefe das forças aliadas no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.

d) impedir a integração racial nos Estados do Sul dos Estados Unidos durante a presidência do general Eisenhower.

10. O que foi a “ Cortina de Ferro”?

11. Um dos símbolos da Guerra Fria foi a construção do Muro de Berlim. Qual das alternativas abaixo explica a existência desse muro?

a) O Muro de Berlim foi construído na década de 1940 para impedir a invasão da capital alemã pelo exército aliado.

b) A Muro de Berlim foi uma linha imaginária para dividir as duas Alemanhas (uma socialista e outra capitalista).

c) Em 1961 foi construído o Muro de Berlim, para dividir a cidade em duas partes: uma capitalista e outra socialista.

d) O Muro de Berlim foi construído, com financiamento soviética, ao redor da cidade para proteger a capital alemã da influência capitalista.

12. Qual foi a única batalha, durante a guerra fria, que teve a luta de um lado do exército dos EUA e do outro o exército da URSS?


a) Guerra da Coreia

b) Guerra do Vietnã

c) Crise dos mísseis

d) Guerra de Suez


13. Qual foi o desfecho da guerra da Coreia?

a) Vitória das forças sul-coreanas e países capitalistas sobre os comunistas e norte-coreanos, paz na fronteira entre as coreias.

b) Vitória das forças comunistas e controle total comunista na península coreana.

c) Invasão das Coreias pelos EUA.

d) Cessar-fogo e estabelecimento de uma zona desmilitarizada no Paralelo 38° N, que separa as duas Coreias.

14. Qual o desfecho da guerra fria?

a) Extinção da União Soviética e do comunismo

b) Extinção da União Soviética e da Polônia

c) Rendição incondicional da União Soviética

d) Extinção da União Soviética


terça-feira, 29 de outubro de 2024

O Renascimento

O Renascimento




Durante os séculos XV e XVI intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença.

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.

Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

Características Principais:

• Valorização da cultura greco-romana. Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais;

• As qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico;

• Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus (teocentrismo), nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo);

• A razão e a natureza passam a ser valorizadas com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo.

Durante os séculos XIV e XV, as cidades italianas como, por exemplo, Gênova, Veneza e Florença, passaram a acumular grandes riquezas provenientes do comércio. Estes ricos comerciantes, conhecidos como mecenas, começaram a investir nas artes, aumentando assim o desenvolvimento artístico e cultural. Por isso, a Itália é conhecida como o berço do Renascentismo. Porém, este movimento cultural não se limitou à Península Itálica. Espalhou-se para outros países europeus como, por exemplo, Inglaterra, Espanha, Portugal, França, Polônia e Países Baixos.

Principais representantes do Renascimento Italiano e suas principais obras:

- Giotto di Bondone (1266-1337) - pintor e arquiteto italiano. Um dos precursores do Renascimento. Obras principais: O Beijo de Judas, A Lamentação e Julgamento Final.

- Fra Angelico (1395 - 1455) - pintor da fase inicial do Renascimento. Pintou iluminuras, altares e afrescos. Obras principais: A coroação da virgem, A Anunciação e Adoração dos Magos.

- Michelangelo Buonarroti (1475-1564) - destacou-se em arquitetura, pintura e escultura. Obras principais: Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina (Juízo Final é a mais conhecida).

- Rafael Sanzio (1483-1520) - pintou várias madonas (representações da Virgem Maria com o menino Jesus).

- Leonardo da Vinci (1452-1519)- pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc. Obras principais: Mona Lisa, Última Ceia.

- Sandro Botticelli - (1445-1510)- pintor italiano, abordou temas mitológicos e religiosos. Obras principais: O nascimento de Vênus e Primavera.

- Tintoretto - (1518-1594) - importante pintor veneziano da fase final do Renascimento. Obras principais: Paraíso e Última Ceia.

- Veronese - (1528-1588) - nascido em Verona, foi um importante pintor maneirista do Renascimento Italiano. Obras principais: A batalha de Lepanto e São Jerônimo no Deserto.

- Ticiano - (1488-1576) - o mais importante pintor da Escola de Veneza do Renascimento Italiano. Sua grande obra foi O imperador Carlos V em Muhlberg de 1548.

Renascimento Científico

Na área científica podemos mencionar a importância dos estudos de astronomia do polonês Nicolau Copérnico. Este defendeu a revolucionária ideia do heliocentrismo (teoria que defendia que o Sol estava no centro do sistema solar). Copérnico também estudou os movimentos das estrelas.

Galileu Galilei: um dos principais representantes do Renascimento Científico.

Nesta mesma área, o italiano Galileu Galilei desenvolveu instrumentos ópticos, além de construir telescópios para aprimorar o estudo celeste. Este cientista também defendeu a ideia de que a Terra girava em torno do Sol. Este motivo fez com que Galilei fosse perseguido, preso e condenado pela Inquisição da Igreja Católica, que considerava esta ideia como sendo uma heresia. Galileu teve que desmentir suas ideias para fugir da fogueira.

A invenção da prensa móvel, feita pelo inventor alemão Gutenberg em 1439, revolucionou o sistema de produção de livros no século XV. Com este sistema, que substituiu o método manuscrito, os livros passaram a ser feitos de forma mais rápida e barata. A invenção foi de extrema importância para o aumento da circulação de conhecimentos e ideias no Renascimento.

Responda:

1. Explique o que foi o Renascimento:

2. O que foi o mecenato e quem eram os mecenas?

3. Onde iniciou o Renascimento?

4.Que qualidades humanas eram exaltadas nas obras dos artistas renascentistas?

5. Explique os termos:

- Teocentrismo:

- Antropocentrismo:

- Heliocentrismo:

6. Quem foi Galileu Galilei e o que ele inventou?

 7. Qual foi a importância da invenção de Gutemberg no século XV?

 8. Faça uma pesquisa sobre Leonardo da Vinci, Michelangelo Buonarroti e Galileu Galilei sem esquecer de mencionar suas principais obras.


terça-feira, 22 de outubro de 2024

Igreja Católica e suas características na Idade Média

 A Igreja Católica na Idade Média tinha diversas características, entre elas: 

 

  • Influência

A Igreja Católica teve uma grande influência na política, cultura, educação, ciência, arquitetura e saberes da época. 

  • Organização

A Igreja tinha uma organização hierárquica, com padres e sacerdotes na base, bispos acima e o papa no topo. 

  • Poder

A Igreja tinha muito poder, pois pregava que era preciso doar bens para a salvação eterna. 

  • Conhecimento

A Igreja tinha praticamente o controle do saber, pois os padres, bispos, abades e monges eram os únicos que podiam ler e escrever. 

  • Ensinamentos

Os ensinamentos da Igreja eram uma certeza para as pessoas da Idade Média. 

  • Preservação da cultura

A Igreja foi a principal responsável pela preservação da cultura greco-romana. 

  • Doutrinas

A Igreja Católica estabeleceu as doutrinas do cristianismo e combateu as heresias. 

  • Ordem social

A Igreja defendeu a ordem social estabelecida, argumentando que o mundo feudal refletia os desígnios de Deus. 

 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

II Reinado

 

O Segundo Reinado



É a fase da História do Brasil que corresponde ao governo de D. Pedro II. Teve início em 23 de julho de 1840, com a mudança na Constituição que declarou Pedro de Alcântara maior de idade com 14 anos e, portanto, apto para assumir o governo. O 2º Reinado terminou em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República.

O governo de D. Pedro II, que durou 49 anos, foi marcado por muitas mudanças sociais, política e econômicas no Brasil.

Política no Segundo Reinado

A política no Segundo Reinado foi marcada pela disputa entre o Partido Liberal e o Conservador. Estes dois partidos defendiam quase os mesmos interesses, pois eram elitistas. Neste período o imperador escolhia o presidente do Conselho de Ministros entre os integrantes do partido que possuía maioria na Assembléia Geral. Nas eleições eram comuns as fraudes, compras de votos e até atos violentos para garantir a eleição.

Término da Guerra dos Farrapos

Quando assumiu o império a Revolução Farroupilha estava em pleno desenvolvimento. Havia uma grande possibilidade da região sul conseguir a independência do restante do país. Para evitar o sucesso da revolução, D.Pedro II nomeou o barão de Caxias como chefe do exército. Caxias utilizou a diplomacia para negociar o fim da revolta com os líderes. Em 1845, obteve sucesso através do Tratado de Poncho Verde e conseguiu colocar um fim na Revolução Farroupilha. 

Revolução Praieira

A Revolução Praieira foi uma revolta liberal e federalista que ocorreu na província de Pernambuco, entre os anos de 1848 e 1850. Dentre as várias revoltas ocorridas durante o Brasil Império, esta foi a última. Ganhou o nome de praieira, pois a sede do jornal dirigido pelos liberais revoltosos (chamados de praieiros) situava-se na rua da Praia. 

Guerra do Paraguai

Conflito armado em que o Paraguai enfrentou a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) com apoio da Inglaterra. Durou entre os anos de 1864 e 1879 e levou o Paraguai a derrota e a ruína.

Ciclo do café

Na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o principal produto de exportação brasileiro, sendo também muito consumido no mercado interno.

  Os fazendeiros (barões do café), principalmente paulistas, fizeram fortuna com o comércio do produto. As mansões da Avenida Paulista refletiam bem este sucesso. Boa parte dos lucros do café foi investida na indústria, principalmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, favorecendo o processo de industrialização do Brasil.

Imigração

Muitos imigrantes europeus, principalmente italianos, chegaram para aumentar a mão-de-obra nos cafezais de São Paulo, a partir de 1850. Vieram para, aos poucos, substituírem a mão-de-obra escrava que, devido as pressões da Inglaterra, começava a entrar em crise. Além de buscarem trabalho nos cafezais do interior paulista, também foram para as grandes cidades do Sudeste que começavam a abrir muitas indústrias.

Questão abolicionista

- Lei Eusébio de Queiróz (1850): extinguiu oficialmente o tráfico de escravos no Brasil

- Lei do Ventre Livre (1871): tornou livre os filhos de escravos nascidos após a promulgação da lei.

- Lei dos Sexagenários (1885): dava liberdade aos escravos ao completarem 65 anos de idade.

- Lei Áurea (1888): assinada pela Princesa Isabel, aboliu a escravidão no Brasil. 

Crise do Império

A crise do 2º Reinado teve início já no começo da década de 1880. Esta crise pode ser entendida através de algumas questões:

- Interferência de D.Pedro II em questões religiosas, gerando um descontentamento nas lideranças da Igreja Católica no país;

- Críticas e oposição feitas por integrantes do Exército Brasileiro, que mostravam-se descontentes com a corrupção existente na corte. Além disso, os militares estavam insatisfeitos com a proibição, imposta pela Monarquia, pela qual os oficiais do Exército não podiam dar declarações na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra;

- A classe média brasileira (funcionário públicos, profissionais liberais, jornalistas, estudantes, artistas, comerciantes) desejava mais liberdade e maior participação nos assuntos políticos do país. Identificada com os ideais republicanos, esta classe social passou a apoiar a implantação da República no país;

- Falta de apoio dos proprietários rurais, principalmente dos cafeicultores do Oeste Paulista, que desejavam obter maior poder político, já que tinham grande poder econômico. Fazendeiros de regiões mais pobres do país também estavam insatisfeitos, pois a abolição da escravatura, encontraram dificuldades em contratar mão-de-obra remunerada.

Fim da Monarquia e a Proclamação da República

Em 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos republicanos, destituiu o Conselho de Ministros e seu presidente. No final do dia, Deodoro da Fonseca assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo provisório.

No dia 18 de novembro, D.Pedro II e a família imperial brasileira viajaram para a Europa. Era o começo da República Brasileira com o Marechal Deodoro da Fonseca assumindo, de forma provisória, o cargo de presidente do Brasil.

 

RESPONDA:

 

1. Que partidos disputavam interesses no governo de D. Pedro II?

2. Qual era o objetivo na Revolução Farroupilha?

3. Como terminou a Guerra dos Farrapos?

4. O que foi a Guerra do Paraguai?

5. O que os lucros do café incentivaram no Brasil?

6.  Em 1850 iniciou o processo de imigração no Brasil. Chegavam europeus de vários países. Qual pais mais enviou imigrantes?

7.  Explique qual era a insatisfação da classe media brasileira com D. Pedro II?

8. Faça uma pesquisa sobre a morte de D. Pedro II.

9. Na linha do tempo das leis a favor dos escravos, durante o 2 reinado, quanto tempo durou até o fim da escravidão?

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Declaração dos Direitos Humanos e do Cidadão

 A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão 


          Inspirada na declaração da independência americana de 1776 e no espírito filosófico do século XVII, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 marca o fim do Antigo Regime e o início de uma nova era. Expressamente visada pela Constituição da Vª República, hoje ela faz parte de nossos textos de referência.


A história


          A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, juntamente com os decretos de 4 e 11 de agosto de 1789 sobre a supressão dos direitos feudais, é um dos textos fundamentais voltados pela Assembléia Nacional Constituinte, formada em decorrência da reunião dos Estados Gerais.

Adotada em seu princípio antes de 14 de julho de 1789, ela ocasiona a elaboração de inúmeros projetos. Após exaustivos debates, os deputados votam o texto final em 26 de agosto de 1789.

         Ela é composta de um preâmbulo e 17 artigos referentes ao indivíduo e à Nação. Ela define direitos "naturais e imprescritíveis" como a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão. A Declaração reconhece também a igualdade, especialmente perante a lei e a justiça. Por fim, ela reforça o princípio da separação entre os poderes.

          Ratificada apenas em 5 de outubro por Luís XVI por pressão da Assembléia e do povo que se dirigiu a Versalhes, ela serve de preâmbulo à primeira Constituição da Revolução Francesa, adotada em 1791. Embora a própria Revolução tenha, em seguida, renegado alguns de seus princípios e elaborado duas outras declarações dos direitos humanos em 1793 e 1795, foi o texto de 26 de agosto de 1789 que se tornou referência para as instituições francesas, principalmente as Constituições de 1852, 1946 e 1958.

           No século XIX, a Declaração de 1789 inspira textos similares em numerosos países da Europa e da América Latina. A tradição revolucionária francesa também está presente na Convenção Européia dos Direitos do Homem, assinada em Roma em 4 de novembro de 1950.

O texto

           Os representantes do povo francês, reunidos em Assembléia Nacional, considerando que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da corrupção dos governos, resolveram expor, em uma declaração solene, os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que essa declaração, constantemente presente junto a todos os membros do corpo social, lembre-lhes permanentemente seus direitos e deveres; a fim de que os atos do poder legislativo e do poder executivo, podendo ser, a todo instante, comparados ao objetivo de qualquer instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, estejam sempre voltadas para a preservação da Constituição e para a felicidade geral.

         Em razão disso, a Assembléia Nacional reconhece e declara, na presença e sob a égide do Ser Supremo, os seguintes direitos do homem e do cidadão:


Art.1.º - Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem ter como fundamento a utilidade comum.

Art. 2.º - A finalidade de toda associação política é a preservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a prosperidade, a segurança e a resistência à opressão.

Art. 3.º - O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhuma operação, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.

Art. 4.º - A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudique o próximo: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites só podem ser determinados pela lei.

Art. 5.º - A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo o que não é vedado pela lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.

Art. 6.º - A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.

Art. 7.º - Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.

Art. 8.º - A lei só deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.

Art. 9.º - Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, caso seja considerado indispensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.

Art. 10.º - Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.

Art. 11.º - A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever,imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos dessa liberdade nos termos previstos na lei.

Art. 12.º - A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública; essa força é portanto instituída para benefício de todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.

Art. 13.º - Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.

Art. 14.º - Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si mesmos ou pelos seus representantes, a necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.

Art. 15.º - A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.

Art. 16.º - A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.

Art. 17.º - Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização.