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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A importância do café no II Reinado

 A importância do café no Segundo Reinado

    Durante o Segundo Reinado (1840–1889), governado por Dom Pedro II, o Brasil passou por profundas transformações econômicas, sociais e políticas. Entre todos os fatores que impulsionaram essas mudanças, o café foi, sem dúvida, o elemento mais importante. Ele se tornou o principal motor da economia brasileira e influenciou desde a organização do trabalho até as relações internacionais.

1. Crescimento da economia cafeeira

     O café começou a se expandir no Brasil no início do século XIX, mas foi no Segundo Reinado que sua produção atingiu um nível extraordinário. As condições climáticas favoráveis e a vastidão de terras disponíveis, especialmente no Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais), facilitaram seu crescimento. Com o aumento da demanda internacional — principalmente dos Estados Unidos e da Europa — o Brasil se tornou, por décadas, o maior produtor e exportador de café do mundo.

    As riquezas geradas permitiram ao Estado investir em áreas estratégicas, como ferrovias, necessárias para transportar o café até os portos; telégrafos, que modernizavam a comunicação; e melhorias urbanas em cidades que cresceram rapidamente, como Rio de Janeiro e São Paulo.

2. A formação da elite cafeeira

    Os grandes proprietários de terras que controlavam a produção ficaram conhecidos como barões do café. Essa elite rural acumulou enorme poder econômico e político. Muitos fazendeiros se tornaram deputados, senadores e ministros do Império, influenciando decisões fundamentais. A economia do café ajudou a sustentar politicamente a monarquia, que por sua vez atendia aos interesses dessa elite agrária.

3. Trabalho escravo e imigração

    Até meados do século XIX, a produção de café dependia profundamente do trabalho escravizado. A pressão internacional — principalmente da Inglaterra — e a necessidade de modernização econômica levaram o Brasil a abolir o tráfico de escravizados em 1850.      Mesmo assim, a escravidão continuou sendo utilizada nas fazendas de café até a assinatura da Lei Áurea, em 1888.

     Já prevendo o fim da escravidão, fazendeiros passaram a incentivar a imigração europeia, oferecendo contratos de trabalho e terras em alguns casos. Italianos, alemães e portugueses formaram grande parte dessa nova mão de obra. Esse movimento deu origem a uma mudança estrutural na sociedade, pois introduziu novas culturas, hábitos e relações de trabalho.

4. Impactos sociais e urbanos

     O café contribuiu diretamente para o crescimento urbano, especialmente de São Paulo, que passou de uma pequena vila colonial a um centro econômico em expansão. Bancos, estradas de ferro, indústrias e comércio cresceram em torno dessa economia. Ao mesmo tempo, a expansão cafeeira fez aumentar a concentração de terras e riquezas, mantendo desigualdades sociais profundas que persistem até hoje.

5. Política, modernização e crise

    O Império utilizou as receitas do café para manter certo equilíbrio econômico, investir em infraestrutura e fortalecer sua imagem internacional. No entanto, ao mesmo tempo, essa dependência do café também demonstrava fragilidade, pois a economia brasileira não se diversificava. Nos últimos anos do Segundo Reinado, a crise política gerada pelo fim da escravidão, o desgaste da monarquia e a insatisfação militar contribuiu para a queda do regime, que já não conseguia responder aos novos desafios.

    Assim, o café foi muito mais que um produto agrícola: foi um fenômeno social, econômico e político, moldando o Brasil do século XIX e influenciando o início da República.

Exercícios

1. O café se tornou o principal produto de exportação do Brasil no Segundo Reinado principalmente porque:

a) era mais fácil de produzir que a cana-de-açúcar

b) tinha alta procura no mercado internacional

c) ocupava pouca mão de obra

d) era incentivado pela Inglaterra

2. Os “barões do café” eram:

a) comerciantes estrangeiros que controlavam os portos

b) indígenas que cultivavam café nas aldeias

c) grandes fazendeiros que influenciavam a política imperial

d) militares responsáveis pela proteção das fazendas

3. A abolição do tráfico de escravizados em 1850 ocorreu devido, entre outros fatores:

a) ao desinteresse dos fazendeiros pelo trabalho escravo

b) à pressão internacional e à necessidade de modernização

c) ao fim do cultivo de café

d) à falta de navios para transportar africanos

4. A imigração europeia foi incentivada porque:

a) o trabalho escravo estava terminando e era preciso substituir a mão de obra

b) os fazendeiros queriam reduzir os custos de produção

c) os europeus insistiam em trabalhar no Brasil

d) o café exigia pouca mão de obra

5. A expansão do café contribuiu para:

a) a diminuição das desigualdades sociais

b) a urbanização e crescimento de cidades como São Paulo

c) a destruição da monarquia

d) o fim das ferrovias no Brasil

6. Complete as frases

a) As riquezas geradas pelo café permitiram investimentos em ____________, ____________ e melhorias urbanas.

b) A elite cafeeira ficou conhecida como ________________.

c) O fim da escravidão levou à chegada de trabalhadores ________________.

d) O Brasil tornou-se o maior exportador mundial de café durante o ________________.

7. Interpretação e resposta curta

a) Como o café influenciou a política do Império?

b) Por que São Paulo cresceu tanto durante o ciclo do café?

c) Cite duas consequências sociais da economia cafeeira.

d) Qual a relação entre o café e o processo de imigração europeia?

8. Questão discursiva (desenvolvimento)

Explique como o café ajudou a modernizar o Brasil, mas ao mesmo tempo manteve desigualdades sociais profundas. Use exemplos do texto.


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Religiosidade das Tribos Indígenas do Brasil

 Religiosidade das Tribos Indígenas do Brasil

A religiosidade indígena no Brasil é diversa, profunda e intimamente ligada à natureza. Como existem muitos povos indígenas no país, cada grupo possui crenças, rituais e tradições próprias. Ainda assim, é possível identificar alguns elementos comuns que mostram como esses povos entendem o mundo, o sagrado e a vida em comunidade.

Relação com a natureza:

Para muitos povos indígenas, a natureza não é apenas o lugar onde vivem, mas um conjunto de seres espirituais. Rios, florestas, animais e montanhas possuem espírito e energia. Assim, preservar a natureza não é somente uma questão prática, mas espiritual.

Mitos e narrativas sagradas:

As histórias transmitidas oralmente explicam a origem do mundo, dos seres humanos, dos animais e dos fenômenos naturais. Os mitos também ensinam valores como respeito, coragem, responsabilidade e convivência.

Xamanismo:

Em muitas etnias, o xamã (ou pajé) ocupa papel central. Ele é responsável por realizar curas, comunicar-se com os espíritos, orientar decisões importantes da comunidade e conduzir rituais.

Rituais e celebrações:

Cada povo possui seus próprios rituais, que podem envolver cantos, danças, pinturas corporais, uso de plantas medicinais e objetos sagrados. Esses rituais marcam momentos importantes, como nascimento, passagem para a vida adulta, iniciação espiritual, funerais e agradecimento à natureza.

Espiritualidade como modo de vida:

Para os povos indígenas, espiritualidade não é separada do cotidiano. Ela está presente na caça, na pesca, no plantio, nas relações familiares e na tomada de decisões. A religiosidade faz parte de tudo.

Exercícios 

1. Em muitas aldeias, os anciãos ensinam que rios, florestas e animais possuem espíritos que protegem o território. Com base nessa visão, a natureza é entendida como:

a) Um recurso disponível apenas para uso econômico.

b) Um conjunto de elementos sem valor espiritual.

c) Um ambiente que deve ser ocupado e dominado.

d) Um espaço vivo, cheio de espíritos e significados.

2. Durante um ritual de cura, a comunidade procura a orientação de um líder espiritual que se comunica com forças invisíveis e busca equilíbrio entre corpo e espírito. Esse líder é:

a) O chefe político que organiza guerras.

b) O xamã/pajé, responsável pela mediação com o mundo espiritual.

c) O responsável pela pesca e pela caça.

d) O guardião dos bens materiais da aldeia.

3. Quando uma criança pergunta de onde veio o sol, os povos indígenas contam histórias antigas que explicam a criação do mundo e ensinam valores. Esses relatos são chamados de:

a) Histórias feitas apenas para diversão.

b) Mitos, que explicam a origem do mundo e ensinam valores culturais.

c) Textos escritos em livros sagrados.

d) Relatos que substituem rituais espirituais.

4. Em diversas celebrações indígenas, observa-se o uso de cantos, danças, pinturas corporais e instrumentos tradicionais. Esses elementos fazem parte de:

a) Templos de pedra construídos para cerimônias.

b) Rituais indígenas que celebram momentos importantes.

c) Livros sagrados escritos em suas línguas.

d) Encontros sem nenhum significado espiritual.

5. Entre os povos indígenas, a espiritualidade não acontece apenas em festas, mas também nos momentos de pesca, plantio e decisões da aldeia. Isso mostra que a espiritualidade:

a) Não tem relação com a vida diária.

b) Ocorre somente em rituais especiais.

c) Está presente em todas as atividades do cotidiano.

d) Serve apenas para marcar ritos de passagem.

6. Ao decidir cortar uma árvore, muitos povos realizam um pedido de permissão e agradecimento ao espírito da floresta. Esse costume representa:

a) Uso ilimitado dos recursos naturais.

b) Separação entre ser humano e natureza.

c) Harmonia e respeito ao meio ambiente.

d) Exploração intensa da terra.

7. Em uma aldeia, um grupo de jovens participa de um ritual de passagem para marcar sua entrada na vida adulta. Esse tipo de prática mostra que os rituais:

a) Substituem o convívio social.

b) Enfraquecem as tradições.

c) Celebram momentos importantes e fortalecem a identidade.

d) Têm o objetivo de isolar os jovens.

8. Em vez de livros, muitas comunidades transmitem seus conhecimentos através das falas dos anciãos, que contam histórias ao redor da fogueira. Esse processo é um exemplo de:

a) Ensino registrado apenas em documentos oficiais.

b) Tradição oral, própria da cultura indígena.

c) Aulas formais de escolas não indígenas.

d) Transmissão de símbolos escritos.


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

A Participação dos Escravizados Negros na Guerra do Paraguai

 A Participação dos Escravizados Negros na Guerra do Paraguai

       Durante a Guerra do Paraguai (1864–1870), o Brasil enfrentou o exército paraguaio ao lado da Argentina e do Uruguai. O conflito exigiu um grande número de soldados, e rapidamente ficou claro que o exército brasileiro não tinha tropas suficientes para enfrentar uma guerra tão longa e sangrenta.

       Foi nesse contexto que o governo imperial e os senhores de escravos começaram a discutir a possibilidade de enviar homens escravizados para lutar. Muitos senhores se recusavam a liberar seus escravos, mas o governo criou leis e incentivos que tornaram isso possível. Uma dessas medidas foi a Lei dos Voluntários da Pátria (de 1865), que prometia a liberdade aos escravizados que se alistassem ou fossem enviados pelos seus donos.

Escravo na Guerra do Paraguai

       Na prática, muitos escravos não se alistaram por vontade própria: foram obrigados pelos senhores, que viam nisso uma forma de se livrar de pessoas que consideravam “dispensáveis”. Em contrapartida, havia casos em que os próprios escravizados aceitavam lutar como uma oportunidade de conquistar a liberdade e um novo começo de vida.

       Os soldados negros tiveram papel essencial no esforço de guerra. Eles serviram como combatentes, carregadores, cozinheiros, enfermeiros, e participaram ativamente de várias batalhas. Muitos morreram em combate, outros voltaram doentes ou mutilados, e vários não receberam a liberdade prometida — especialmente aqueles cujos senhores se recusaram a cumprir o acordo.

Zuavo Baiano

       Mesmo assim, a participação dos negros e escravizados na Guerra do Paraguai foi marcante. Ela revelou as contradições da sociedade brasileira do século XIX, que, ao mesmo tempo em que dependia do trabalho escravo, também contava com esses homens para defender o Império.

       Alguns historiadores afirmam que a guerra ajudou a fortalecer o movimento abolicionista, pois ficou evidente a injustiça de um país que enviava escravos para lutar em nome da pátria, mas negava-lhes a liberdade. A luta e o sacrifício desses soldados negros se tornaram símbolo de resistência e coragem diante da opressão.

Atividade – Interpretação e Reflexão

1. Por que o governo brasileiro começou a aceitar escravos como soldados durante a Guerra do Paraguai?

2. O que prometia a Lei dos Voluntários da Pátria (1865)?

3. Todos os escravizados que lutaram receberam a liberdade? Explique.

4. Quais funções os negros e escravizados exerciam dentro do exército?

5. Como a participação dos escravizados revelou as contradições da sociedade brasileira?

6. Qual foi o impacto dessa participação para o movimento abolicionista?

7. Você acha que os negros que lutaram foram tratados com justiça? Por quê?

8. O que essa parte da história nos ensina sobre liberdade e igualdade nos dias de hoje?

9. Por que é importante lembrar da participação dos negros e escravizados na história do Brasil?


A Guerra do Paraguai (II Reinado)

 A Guerra do Paraguai

     A Guerra do Paraguai (1864–1870) foi o maior conflito armado da América do Sul, envolvendo quatro países: Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai. Ela ocorreu em um período de grandes transformações na região, quando os países recém-independentes buscavam consolidar seus territórios e economias.


Guerra do Paraguai

    O Paraguai, liderado pelo presidente Francisco Solano López, era um país que se destacava por seu rápido desenvolvimento econômico e por sua tentativa de manter independência frente às potências estrangeiras. López acreditava que o Paraguai poderia se tornar uma potência regional, e por isso buscou expandir sua influência na região do Rio da Prata, onde o Brasil, a Argentina e o Uruguai disputavam interesses comerciais e políticos.

    O conflito começou quando o Paraguai invadiu o Mato Grosso, território brasileiro, em 1864. Em seguida, Solano López declarou guerra à Argentina e ao Uruguai. Em resposta, os três países formaram a Tríplice Aliança, unindo-se contra o Paraguai.

    A guerra foi extremamente violenta. O exército paraguaio, apesar de sua coragem e disciplina, não tinha o mesmo poder militar e econômico dos aliados. As batalhas mais conhecidas, como Tuiuti, Curupaiti e Lomas Valentinas, resultaram em enormes perdas humanas. Estima-se que mais de 60% da população paraguaia tenha morrido, entre soldados e civis.


Batalha de Tuiuti

 

Batalha de Curupaiti

         O conflito terminou em 1870, com a morte de Solano López e a derrota total do Paraguai. O país ficou arrasado: sua economia foi destruída, e boa parte de suas terras foi perdida. O Brasil, por sua vez, saiu vitorioso, mas o custo foi altíssimo: milhares de soldados morreram, e as dívidas da guerra aumentaram significativamente.

    A Guerra do Paraguai deixou marcas profundas na história da América do Sul. Além da destruição, o conflito mostrou como a busca pelo poder e pela expansão territorial pode gerar sofrimento e desigualdade. Para os historiadores, é também um exemplo da necessidade de soluções diplomáticas e pacíficas entre os países vizinhos.

Interpretação e Reflexão

1. Quais países participaram da Guerra do Paraguai?

2. Quem era o líder paraguaio durante o conflito?

3. Qual foi a principal causa da guerra?

4. O que foi a Tríplice Aliança e quais países a formaram?

5. Cite duas consequências da guerra para o Paraguai.

6.  Quais foram as consequências para o Brasil?

7.  Por que a Guerra do Paraguai é considerada o maior conflito da América do Sul?

8. Você acha que a ambição dos governantes teve um papel importante nesse conflito? Explique.

9.  Quais lições podemos aprender com a Guerra do Paraguai em relação às guerras atuais?

10. Em sua opinião, a guerra poderia ter sido evitada? O que os países poderiam ter feito diferente?


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O islamismo

 ISLAMISMO

     O Islamismo surgiu no século VII e, em pouco tempo, se expandiu para várias regiões da Ásia, norte da África e até para a Península Ibérica.

Os árabes antes do Islamismo

    Antes do surgimento do Islamismo, os povos árabes da Península Arábica seguiam uma religião politeísta (acreditavam em muitos deuses).

   Nesta península, viviam diversas e pequenas tribos árabes (várias delas eram nômades), que muitas vezes guerreavam entre si. Não havia nenhum poder central capaz de controlar e administrar todas.

Origem do Islamismo

    A religião islâmica foi criada por Maomé, no começo do século VII. Esta nova religião, ao contrário das outras crenças árabes, era monoteísta (crença em apenas um deus, chamado de Alá).

    Nos séculos VII e VIII, o Islamismo cresceu e se espalhou por toda a Península Arábica. A região se união em torno de um Estado forte, unida pela mesma crença.

Maomé

    Conhecer um pouco sobre a vida de Maomé é importante para entendermos a história do Islã. De acordo com o Islamismo, Maomé foi um profeta, que recebeu orientações (revelação) do anjo Gabriel para criar uma nova religião. Ele nasceu na cidade de Meca (na atual Arábia Saudita), em 25 de abril de 571.

    Por volta dos quarenta anos de idade, Maomé começou a pregar as mensagens do Islã em sua cidade, Meca. Porém, os habitantes desta cidade não aceitaram suas pregações, pois acreditavam em diversos deuses.

   No ano de 622, Maomé saiu de Meca e foi para a cidade de Medina. Este momento, conhecido como Hégira, foi de grande importância para o Islã. Em Medina, grande parte dos habitantes aceitaram a mensagem de Maomé.

   Com seus seguidores, Maomé retornou para Meca, em 630, e a conquistou pacificamente. Logo em seguida, Maomé unificou todas as tribos árabes. Em pouco tempo, o Islã foi se espalhando por quase toda Península Arábica.

    Maomé faleceu em 8 de junho de 632, aos 61 anos de idade, na cidade de Medina.

Expansão do Islamismo

    Após a morte de Maomé, os muçulmanos escolheram um Califa como líder, que era, ao mesmo tempo, líder religioso e espiritual.

      Em 711, o Califado conquistou a região sul da Península Ibérica, que passou a ser chamada de Al-Andalus (Andaluzia). Ficaram nesta região até o século XV. Até hoje, a região sul da Espanha apresenta marcas culturais (arquitetura, linguagem, artes, etc.) da presença muçulmana neste território por centenas de anos. Foram expulsos da região somente no ano de 1492.

    No processo de expansão, os muçulmanos conquistaram também o Império Persa, o norte da África e o Império Bizantino.

  Não conseguiram conquistar o Império Carolíngio (região da atual França), pois foram vencidos pelos francos, em 732, na Batalha de Poitiers.

As principais características do Islamismo são:

- Islã, em árabe, significa “obediência a Deus”.

- As pessoas que seguem a religião islâmica são chamados de muçulmanos

- Para os seguidores desta religião, Maomé não é uma espécie de divindade. Ele é considerado um profeta (mensageiro) de Alá (Deus).

- O livro sagrado dos muçulmanos é o Alcorão. Ele possui as crenças da religião e as orientações morais. Para os muçulmanos, este livro é a palavra literal de Alá, que foi revelada ao profeta Maomé.

- Para os muçulmanos, antes de Maomé, existiram outros profetas: Moisés, Davi, Jacó, Abraão, Isaac, Ismael e Jesus.

- A doutrina muçulmana não permite a representação, através de qualquer tipo de imagem, de Maomé e Alá.

- O local de orações e pregações do Islamismo é chamado de mesquita.

- Nas mesquitas, as orações e pregações são feitas por um Imã (clérigo, autoridade religiosa do Islamismo).

Os pilares do Islã:

- Só existe um deus que é Alá. Maomé foi o seu profeta (mensageiro).

- Os muçulmanos devem rezar, em direção a Meca, cinco vezes ao dia.

- Jejuar (não comer e nem beber durante o dia) no mês de Ramadã. Neste mês sagrado, a alimentação deve ocorrer no período noturno.

- Ajudar as pessoas pobres, através da doação de esmolas.

- Visitar a cidade de Meca pelo menos uma vez na vida, para rezar junto a Caaba. Este evento é conhecido como Peregrinação a Meca.

A Caaba

    O local mais sagrado do mundo, para os muçulmanos, é a Caaba. Ela é uma construção quadrada, onde se encontra a pedra sagrada do Islã (“A Pedra Negra”). Este local é o principal ponto de peregrinação do mundo islâmico.

     Antes de Maomé, este local era utilizado pelas tribos árabes como uma espécie de centro de culto. Após unir as tribos árabes, Maomé incorporou a Caaba ao Islamismo.

Islamismo na atualidade

    Exemplos de países da atualidade em que o Islamismo é a religião seguida pela maioria da população:

   Afeganistão, Bahrein, Catar, Irã, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Omã, Mauritânia, Cisjordânia, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Turcomenistão, Azerbaijão, Somália, Guiné, Tunísia, Senegal, Mali, Síria, Iêmen, Marrocos, Egito, Turquia, Indonésia e Paquistão.

Curiosidades:

- Os sunitas são o maior ramo de seguidores do Islamismo, com cerca de 83% dos fiéis. O segundo maior grupo é o dos xiitas.

- Entre os muçulmanos do ramo xiita, o aiatolá é aquele que possui maior importância na hierarquia do Islamismo.

- O calendário islâmico, também conhecido como hegírico, segue os movimentos da Lua ao redor do planeta Terra. Portanto, ele é um calendário lunar.

Resolva as questões 

1. Em que século surgiu o Islamismo e quais regiões ele alcançou rapidamente após sua origem?

2. Como era a religião dos árabes antes do surgimento do Islamismo?

3. Qual era a principal característica social e política das tribos árabes antes do Islamismo?

4. Quem foi o fundador do Islamismo e o que ele pregava?

5. O que foi a Hégira e por que é um evento importante na história islâmica?

6. O que aconteceu quando Maomé retornou a Meca em 630?

7. Após a morte de Maomé, quem passou a liderar os muçulmanos?

8. Quais territórios o Islamismo conquistou durante sua expansão?

9. O que significa a palavra “Islã” e como são chamados seus seguidores?

10. Cite dois dos cinco pilares do Islã.

11. O que é a Caaba e qual sua importância para os muçulmanos?

12. Cite três países atuais em que o Islamismo é a religião predominante.



sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Atividade complementar: As hierarquias, os cacicados e as relações de poder entre os povos das Américas

 Atividade complementar do texto 1. 

Pesquise sobre um povo indígena brasileiro (como os Tupinambás, Guaranis ou Xavantes) e descreva brevemente:

-Como era sua forma de organização social;

-Quem exercia o poder na comunidade;

- Como tomavam decisões importantes.


As hierarquias indígenas e a colonização: encontros e choques de poder

 Texto 2 As hierarquias indígenas e a colonização: encontros e choques de poder

     Quando os europeus chegaram às Américas, encontraram povos muito diferentes entre si —alguns organizados em pequenas aldeias, outros formando impérios grandiosos. As relaçõesde poder e hierarquias que existiam entre os povos indígenas influenciaram profundamentea forma como a colonização aconteceu em cada região.

1. Encontros entre mundos diferentes


  Os colonizadores europeus estavam acostumados a sociedades monárquicas e hierarquizadas, nas quais o poder vinha de cima para baixo. O rei concentrava a autoridade e governava com base em leis e instituições. Ao chegar às Américas, os europeus encontraram povos com outras formas de liderança — muitas delas baseadas no consenso, na tradição oral e no respeito à comunidade. Essa diferença de visão sobre o poder gerou choques e, muitas vezes, incompreensão mútua.

      Entre os povos Tupi-Guarani, por exemplo, os colonizadores se frustravam por não encontrarem um “chefe supremo” com quem negociar a posse de terras. Isso dificultava a dominação, pois as decisões eram coletivas. Já entre os astecas e incas, que possuíam impérios organizados e um governo centralizado, os europeus perceberam uma estrutura de poder mais parecida com a deles — o que facilitou as estratégias de conquista.

2. Quando a hierarquia facilita a dominação

     Nos impérios asteca e inca, a existência de uma hierarquia rígida foi um dos fatores que aceleraram a conquista europeia. Bastava derrotar ou capturar o governante principal —como aconteceu com o imperador Atahualpa entre os incas — para desestabilizar todo osistema político e religioso. Os espanhóis exploraram essa estrutura a seu favor, manipulando rivalidades internas e utilizando líderes locais como intermediários. Assim, as próprias hierarquias indígenas foram usadas para manter o controle colonial.

3. Resistência e autonomia nas sociedades igualitárias

     Por outro lado, entre os povos com lideranças descentralizadas, como muitos grupos da Amazônia e do interior do Brasil, o domínio europeu foi mais difícil. Sem uma autoridade única, os colonizadores não tinham com quem firmar acordos permanentes, e cada aldeia podia resistir de forma independente. Isso explica por que algumas regiões, como a floresta amazônica, permaneceram por séculos fora do controle efetivo das potências coloniais.

   As sociedades igualitárias valorizavam a liberdade individual, o trabalho coletivo e a tomada de decisão comunitária. Essas formas de organização expressavam valores muitodiferentes dos europeus, baseados na hierarquia, na obediência e na propriedade privada.

4. Choques culturais e novas formas de poder

    O encontro entre essas formas distintas de poder provocou mudanças profundas. Muitos caciques passaram a atuar como intermediários entre as aldeias e os colonizadores, buscando proteger seu povo ou garantir melhores condições de sobrevivência. Com otempo, porém, a colonização destruiu grande parte das estruturas tradicionais, impondo modelos políticos e religiosos europeus. Ainda assim, os valores indígenas de solidariedade,coletividade e respeito à natureza continuaram vivos, resistindo até os dias atuais nas comunidades tradicionais e nas lutas por reconhecimento e território.

5. O legado das lideranças indígenas

    Mesmo após séculos de dominação, muitos povos indígenas mantêm suas formas próprias de organização. O papel do cacique continua importante, não como autoridade autoritária, mas como porta-voz e protetor da comunidade. Essas lideranças mostram que o poder pode ser exercido de forma compartilhada, com base no diálogo e no bem comum — uma lição valiosa para toda a sociedade contemporânea.

Exercícios

1. Explique como as diferenças entre as formas de liderança indígena e europeia influenciaram o processo de colonização.

2. Por que os impérios como o asteca e o inca foram conquistados mais rapidamente pelos europeus?

3. Descreva de que maneira as sociedades igualitárias dificultaram o domínio colonial.

4. Complete as lacunas:

a) Nos impérios indígenas, o poder estava concentrado nas mãos do _______.

b) Entre os povos Tupi-Guarani, as decisões eram tomadas de forma _______.

c) A colonização destruiu muitas formas tradicionais de _______ indígena.

5. O que as lideranças indígenas podem nos ensinar hoje sobre poder, diálogo e respeito à comunidade?

As hierarquias, os cacicados e as relações de poder entre os povos das Américas

 Texto 1 As hierarquias, os cacicados e as relações de poder entre os povos das Américas

      Antes da chegada dos europeus, as Américas já eram habitadas por milhões de pessoas, organizadas em centenas de povos com culturas, religiões e línguas próprias. Esses povos desenvolveram diferentes formas de viver em sociedade, criando maneiras variadas de distribuir o poder e de tomar decisões. Assim como na história de outros continentes, nas Américas existiam sociedades simples e igualitárias, e também civilizações complexas e hierarquizadas.

1. Sociedades igualitárias e o papel do cacique

       Entre muitos povos indígenas da América do Sul — como os Tupi, Guarani, Xavante, Yanomami e outros — a vida em grupo era baseada na cooperação e no respeito mútuo. Nesses povos, o líder era conhecido como cacique, palavra de origem indígena que significa “chefe” ou “líder comunitário”.

        O cacique não mandava sozinho e nem possuía poderes absolutos. Sua autoridade vinha do prestígio pessoal, da experiência de vida, da habilidade de oratória e da sabedoria. Ele orientava o grupo, representava a aldeia em decisões importantes e mediava conflitos. As decisões mais relevantes, no entanto, eram tomadas em assembleias coletivas, nas quais todos podiam opinar. Essa forma de liderança é conhecida como liderança por consenso.

      Em geral, essas sociedades não tinham uma divisão rígida de classes sociais nem acumulação de riquezas. Todos compartilhavam os recursos da natureza, e o trabalho era coletivo. Por isso, são chamadas de sociedades igualitárias — porque não existiam grandes diferenças de poder e status entre as pessoas.

2. O surgimento dos cacicados

     Com o crescimento populacional e o aumento da complexidade das relações sociais, surgiram os cacicados, formas de organização política intermediárias entre as aldeias simples e os grandes impérios. Os cacicados apareceram principalmente na região do Caribe, México e norte da América do Sul, em povos como os taíno e os aruaques.

     Nesses grupos, o cacique tinha um poder mais amplo: ele controlava várias aldeias, coordenava a produção agrícola, organizava guerras e distribuía os bens produzidos. Também era responsável por manter a paz, cuidar das cerimônias religiosas e proteger o povo. Apesar de exercer autoridade, o cacique ainda dependia do respeito e do apoio de seus súditos e conselheiros. Seu poder não era apenas político, mas também religioso e simbólico, pois acreditava-se que ele possuía uma ligação especial com os deuses ou os espíritos da natureza.

     Os cacicados representavam, portanto, um passo importante na formação de estruturas políticas mais complexas. Eles mostravam como alguns povos indígenas desenvolveram formas de liderança centralizada e organizada, muito antes da chegada dos colonizadores.

3. As grandes civilizações e as hierarquias de poder

   Em algumas regiões das Américas, especialmente na América Central e nos Andes, surgiram civilizações com níveis elevados de organização social e política: os maias, astecas e incas. Esses povos construíram cidades monumentais, sistemas agrícolas avançados e exércitos poderosos. Suas sociedades eram altamente hierarquizadas, ou seja, divididas em grupos com diferentes funções e níveis de poder.

      Nos impérios asteca e inca, o poder máximo estava nas mãos do imperador, considerado uma figura sagrada. Abaixo dele vinham os nobres, os sacerdotes e os guerreiros, que exerciam funções de comando e administração. Já os camponeses, artesãos e escravos formavam as camadas mais baixas da sociedade. As religiões tinham papel central no controle social. Os governantes eram vistos como representantes dos deuses na Terra, o que reforçava sua autoridade e dificultava questionamentos. Assim, a religião, a política e a economia estavam fortemente ligadas, formando uma estrutura de poder complexa.

4. Relações de poder e diversidade cultural

     A variedade de formas de organização política nas Américas mostra que o continente era extremamente diverso e desenvolvido antes da colonização europeia. Enquanto algumas sociedades viviam em pequenas aldeias baseadas na igualdade e na partilha, outras haviam criado verdadeiros Estados com hierarquias e burocracias.

     Em todas elas, o poder era exercido de maneiras diferentes — ora pela sabedoria e prestígio moral, ora pela força militar e pelo controle religioso. Essa diversidade cultural foi, em grande parte, destruída com a colonização, que impôs novas formas de poder e exploração. Ainda assim, muitos povos indígenas preservaram tradições e valores que continuam vivos até hoje, como o respeito à natureza, o senso de coletividade e a valorização da palavra.

Exercícios

1. Explique com suas palavras o que caracterizava as sociedades igualitárias indígenas e como o poder era exercido nelas.

2. O que é um cacicado? Quais eram as funções políticas e religiosas do cacique nesses grupos?

3. Compare as formas de poder dos povos Tupi-Guarani e dos Impérios Asteca e Inca. Quais são as principais diferenças entre eles?

4. Complete as frases:

a) Nas sociedades igualitárias, o poder do cacique dependia do _______ do grupo.

b) Os cacicados eram formas de liderança _______ entre as aldeias simples e os grandes impérios.

c) Entre os povos asteca e inca, o imperador era visto como uma figura _______.

5. Por que podemos dizer que havia diversidade política entre os povos indígenas das Américas?

6. Você acredita que uma sociedade baseada no consenso e na partilha seria possível no mundo atual? Por quê?


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Periodo Regencial e suas revoltas

 PERÍODO REGENCIAL

       O Período Regencial (1831- 1840) foi a época em que o Brasil foi governado por regências, pois o herdeiro do trono era menor de idade. Este período é caracterizado por momentos de grande conturbação no Brasil com várias revoltas civis. Termina com o Golpe da maioridade que levou ao trono D. Pedro II aos catorze anos de idade.

        Dom Pedro I enfrentava vários problemas internos como falta de apoio das elites econômicas e externos, como a derrota na Guerra da Cisplatina. Além disso, com a morte de Dom João VI, em Portugal, ele havia sido aclamado D. Pedro IV de Portugal. Neste momento em que o imperador perde a sua popularidade, decide abdicar ao trono brasileiro. Nessa altura, porém, o seu herdeiro, D. Pedro II, não podia governar, pois tinha 5 anos de idade. A solução, prevista pela constituição de 1824, era formar uma Regência até que D. Pedro II atingisse a maioridade.

Revoltas do Período Regencial

Abre-se uma época de grande disputa de poder e instabilidade política que dão origem a uma série de conflitos:

• Revolta dos Malês (1835): revolta de escravos ocorrida na Bahia, comandada por escravos de origem malê que seguiam a fé islâmica. Lutavam contra a discriminação, pela liberdade, contra a imposição do catolicismo e contra a miséria.

• Cabanagem (1835 – 1840): revolta que aconteceu no Pará, composta de pobres, indígenas, negros e mestiços que viviam em cabanas próximas dos rios. Em certa medida, contou com o apoio das elites agrárias locais, insatisfeitas com a centralização política promovida pelos regentes. Foi enfraquecida pela falta de organização interna e pelas traições dentro do núcleo de poder cabano.

• Balaiada (1838 – 1841).: revolta que ocorreu no Maranhão, composta de vaqueiros, agricultores pobres e escravos. Teve a participação de grupos liberais conhecidos como Bem-te-vi, nome dado ao jornal liberal publicado na província. Foi um movimento descentralizado e desorganizado, mas que teve impacto na região.

• Sabinada (1837 – 1838): revolta ocorrida na Bahia, comandada por liberais que chegaram a tomar a cidade de Salvador. Entretanto, algumas de suas propostas não foram bem vistas pelas elites agrárias locais (como a libertação dos escravos) e o movimento acabou tendo curta duração. As reivindicações eram os baixos salários dos militares e a insatisfação com o governo regencial, que queria enviá-los para resolver conflitos populares no Sul do país. Já o interesse por parte dos demais integrantes era ter maior participação política e mais acesso ao poder.

• Farroupilha (1835 – 1845): revolta que aconteceu no Rio Grande do Sul, comandada pelas elites agrárias locais (conhecidos como estancieiros), que criticavam os baixos impostos cobrados sobre o charque argentino. Essa revolta durou dez anos e fez com que tanto o Rio Grande do Sul como Santa Catarina se tornassem repúblicas independentes.

O Período Regencial contou com as seguintes regências:

• Regência Trina Provisória (abril a julho de 1831)

• Regência Trina Permanente (1831 a 1834)

• Regência Una do Padre Feijó (1835 – 1837)

• Regência Una de Araújo Lima (1837 – 1840)

Grupos políticos do Período Regencial

Nessa altura, havia três grupos políticos defendendo cada qual uma posição distinta de governo:

Liberais moderados (também conhecidos como ximangos): defendiam o centralismo político da monarquia constitucional;

Liberais exaltados (apelidados de farroupilhas): defendiam a federalização do governo, com mais poderes para as províncias e o fim do Poder Moderador.

Restauradores (ou caramurus): eram a favor do regresso de D. Pedo I. Após a morte deste, em 1834, vários membros entraram para partido dos liberais moderados.

       Em 1831 foi criada a Guarda Nacional para contrabalançar o poder que o Exército tinha no governo. Este corpo armado seria integrado por cidadãos que tivessem direito a voto ou seja, a elite brasileira é desempenharia um importante papel na política brasileira.

Ato Adicional (1834)

       O Ato Adicional foi um conjunto de propostas de caráter liberal introduzidos na Constituição de 1824. Entre essas medidas podemos destacar a criação de Assembleias Legislativas Provinciais cujo deputadosteriam mandato de dois anos e os governos provinciais podiam criar impostos, contratar e demitir funcionários. Também foi determinado que regência seria exercida por uma só pessoa e não três. O primeiro regente foi o padre Antônio Feijó.

Fim do Período Regencial

       As consequências da instabilidade política são as revoltas regências ocorridas em vários pontos do Brasil como vimos acima. Com o objetivo de acabar com a desordem e agitação, que levaria à desintegração do território brasileiro, o Partido Liberal propõe que a maioridade de D. Pedro II seja antecipada. A ideia é levada à votação na Câmara, mas não é aprovada. Desta maneira, os políticos tramam o Golpe da Maioridade, declarando D. Pedro II maior de idade aos 14 anos. Um ano depois, D. Pedro começa a governar o Brasil e tem início o Segundo Reinado.

Exercicio

1. Faça uma linha do tempo com os acontecimentos que marcaram cada ano ou etapa do período regencial.

2. Qual era o contexto histórico que o Brasil vivia que obrigou D. Pedro I a abdicar-se do trono em favor de seu filho D. Pedro II?

3. O Período Regencial foi marcado por grande disputa de poder e instabilidade política que dão origem a uma série conflitos. No quadro a seguir faça o inventário das principais revoltas deste período.


4. No Período Regencial, havia três grupos políticos defendendo cada qual uma posição distinta de governo. Relacione cada grupo político as suas reivindicações.

a) Liberais moderados.      ( ) defendiam a federalização do governo, com mais poderes para as províncias e o fim do Poder Moderador.

b) Liberais exaltados.              (  ) eram a favor do regresso de D. Pedo I. Após a morte deste, em 1834, vários membros entraram para partido dos liberais moderados.

c) Restauradores.                (  ) defendiam o centralismo político da monarquia constitucional.

5. Em 1831 foi criada a Guarda Nacional. Qual foi os motivos que levou a criação deste corpo armado, quem podia dela participar e qual era a sua função?

6. Em que consistia o Ato Adicional e quais foram as principais medidas criada por ele?


terça-feira, 21 de outubro de 2025

As cruzadas

 

 Idade Média – As Cruzadas

• O que foram as Cruzadas?

    As Cruzadas foram campanhas militares organizadas pela Igreja Católica na Idade Média, com o propósito principal de combater os muçulmanos e conquistar a Terra Santa, especialmente Jerusalém.

Figura 1- Ilustração que representa uma das batalhas das Cruzadas, publicada na obra de Guilherme de Tiro, séc. XIV.

• A Origem das Cruzadas

    Nesse período, o mundo cristão estava dividido entre duas principais igrejas: a Igreja Católica, liderada pelo Papa com sede em Roma, e a Igreja Ortodoxa, liderada pelo Patriarca em Constantinopla.

      No final do século XI, os cristãos ortodoxos enfrentavam ameaças dos muçulmanos, que avançavam da Península Arábica e conquistavam territórios na atual Turquia, aproximando-se de Constantinopla. Diante desse cenário, o Patriarca de Constantinopla solicitou auxílio militar aos católicos para defender os territórios cristãos contra os "infiéis". Em resposta a esse apelo, o Papa Urbano II convocou as Cruzadas em 1096 durante o Concílio de Clermont.

Figura 2 - Papa Urbano II pregando a Primeira Cruzada. Imagem feita em 1852.

     Além de prestar auxílio aos ortodoxos, as Cruzadas tinham como objetivo recuperar o controle da Terra Santa, que compreendia os lugares associados à vida de Jesus Cristo. Esses territórios, especialmente a cidade de Jerusalém, estavam sob domínio muçulmano desde o século VII d.C. O papado via na mobilização de soldados para as Cruzadas uma oportunidade para reconquistar essa região sagrada para os cristãos.

• Características das Cruzadas

       Ao todo, ocorreram oito Cruzadas entre 1096 e 1270 d.C. Cada cruzada reunia milhares de soldados que partiam da Europa em direção ao Oriente, prontos para o combate contra os denominados "infiéis".

    O grande número de participantes nas cruzadas comprova força da Igreja na Europa Medieval. Muitos indivíduos aceitavam ir à guerra em nome de sua fé e confiavam nas palavras do Papa. O apelo à mobilização para as Cruzadas ganhava ainda mais força, pois afirmava-se que os participantes receberiam graças religiosas, como o perdão de seus pecados ou até mesmo um lugar no céu em caso de morte.

     O próprio nome “Cruzada” vem de seu aspecto religioso, já que os soldados se diziam “Soldados de Cristo” e usavam mesmo a cruz em suas roupas e armaduras. No entanto, o nome “Cruzada” só foi usado com frequência a partir do século XIII d.C. Antes disso, referiam-se à mobilização de soldados como “Expedição da Cruz” ou “Guerra Santa”.

     Por fim, ainda que muitos tenham ido por motivos religiosos, outros ingressaram nas Cruzadas em busca de riqueza ou fugindo de sua vida e problemas na terra natal. Havia também aqueles que sonhavam em conquistar novas terras, aproveitando-se da força dessas numerosas tropas católicas.

• Principais Cruzadas

     A Primeira Cruzada ocorreu entre 1096 e 1099, e foi uma das mais bem-sucedidas. Muitas pessoas das regiões que hoje são a Itália e da França se uniram a ela, e os muitos soldados conseguiram ganhar batalhas importantes no Oriente. Eles até reconquistaram a Terra Santa por algum tempo, criando quatro estados católicos nessa área. No entanto, esses estados não conseguiram resistir por muito tempo aos ataques dos muçulmanos.



Figura 3 - Imagem da Conquista de Jerusalém em 1099 d.C., presente num manuscrito datado entre os sécs. XIV e XV.

      As outras cruzadas não conseguiram retomar a Terra Santa, principalmente devido à força militar dos muçulmanos. No entanto, duas cruzadas se destacaram por sua singularidade.

          A primeira foi a Cruzada dos Mendigos, que aconteceu em 1096. Nessa expedição, milhares de mendigos, camponeses empobrecidos, miseráveis e doentes se juntaram e partiram para o Oriente, enxergando na cruzada uma chance de buscar uma vida melhor. Contudo, devido aos seus armamentos precários e falta absoluta de treinamento, foram brutalmente derrotados pelas tropas muçulmanas, ainda na região da Turquia.

           Por sua vez, a Cruzada das Crianças (1212) também ficou muito conhecida. Nesse período, difundiu-se a ideia de que apenas pessoas puras poderiam realizar a conquista da Terra Santa. Assim, acreditavam que as crianças seriam mais aptas para realizar o feito, já que teriam poucos pecados. No entanto, a cruzada também fracassou e as crianças tiveram um trágico final.

• Consequências das Cruzadas

        Ainda que tenham contado com milhares de soldados, as Cruzadas não conseguiram reconquistar a Terra Santa de forma duradoura. Contudo, elas provocaram mudanças importantes na Europa.

           A Primeira consequência foi o contato com produtos raros na Europa, como o café, o açúcar, o cravo e a noz-moscada. Essas especiarias eram trazidas pelos soldados sobreviventes e se popularizaram na Europa, abrindo caminho para novas rotas de comércio entre o Oriente e o Ocidente.

      Outra consequência foi um enfraquecimento da nobreza. Como muitos nobres morreram em combate nas cruzadas, seu domínio na Europa e nos feudos foi abalado. Isso contribuiu para o enfraquecimento do sistema feudal como um todo.

         Por último, as cruzadas permitiram o acesso dos europeus a novos conhecimentos. Mesmo através das guerras, os Cruzados entraram em contato com saberes avançados de medicina, filosofia, astronomia e matemática presentes no mundo árabe. Muitas obras inclusive foram trazidas pelos soldados e traduzidas na Europa, permitindo um avanço científico importante na Europa medieval.

Exercícios

1. Com suas palavras, explique o que foram as Cruzadas e quais era seu objetivo.

2. Por que essas expedições levavam o nome de “Cruzadas”?

3. Cite e explique duas das principais Cruzadas.

4. Explique duas consequências das Cruzadas para a Europa.

5. Leia o discurso do Papa Urbano II em 1096 d.C. abaixo e responda: Quais argumentos foram utilizados para convencer as pessoas a participarem dessas guerras?

“Após ter prometido a Deus manter a paz em suas terras e ajudar fielmente a Igreja, vocês poderão ser recompensados empregando sua coragem noutro empreendimento. Trata-se de um negócio de Deus. É preciso que sem demora vocês partam em socorro de seus irmãos do Oriente. (...) A todos os que partirem e morrerem no caminho, em terra ou mar, ou que perderem a vida combatendo os pagãos, será concedida a remissão dos pecados. Que sejam doravante cavaleiro de Cristo que não eram senão bandoleiros. A terra que habitam é estreita e miserável, mas no território sagrado do Oriente há extensões de onde jorram leite e mel.”

FRANCO JÚNIOR, Hilário. As Cruzadas. São Paulo: Moderna, 1999, pp. 26-27. Adaptado.


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

A Igreja na Idade Média

 A Igreja na Idade Média

* Proteção e defesa

     Durante a Idade Média a Igreja Católica aumentou muito o seu poder, passando a controlar a mentalidade medieval, definindo a maneira de viver e de pensar de toda a sociedade.

Os bens materiais da Igreja Católica começaram a ser acumulados a partir da cobrança do dízimo (10%) sobre os produtos cultivados pelos camponeses e das doações feitas pelos fiéis, cujo exemplo maior foi às terras que compuseram o Patrimônio de São Pedro.

     Já o poder da Igreja Católica sobre os homens e as almas deveu-se ao seu vigoroso trabalho de conversão dos germanos, ao predomínio cultural do clero e principalmente à sua capacidade de organização. Foi essa indiscutível organização que lhe possibilitou transformar o cristianismo no grande princípio unificador da civilização cristã européia. Isso ocorreu mesmo durante os primeiros séculos da Idade Média, em que as invasões, as destruições e o medo generalizado geravam uma permanente instabilidade na vida social do europeu.

    O poder espiritual da Igreja Católica deveu-se também, e talvez principalmente, a suas doutrinações religiosas. De acordo com um de seus preceitos básicos, o ser humano carrega em si uma pesada carga de pecados e, para se livrar deles e obter a salvação, deve recorrer à Igreja e se submeter a seus sacramentos, em especial ao batismo e à eucaristia.

      O batismo é um sacramento pelo qual o indivíduo fica livre do pecado original de Adão e Eva, o que torna possível sua salvação. Ele teria sua origem na religião persa, na qual era acompanhado de uma refeição sagrada, com pão, água e possivelmente vinho.

       A eucaristia ou sagrada comunhão é o momento do ritual católico em que o pão e o vinho são consagrados e transformados no corpo e no sangue de Cristo.

       A Igreja Romana define o sacramento como um meio pelo qual a graça divina é comunicada ao homem e à mulher. Segundo ela, nenhum indivíduo pode salvar-se sem os sacramentos, que permanecem sempre puros, mesmo quando são ministrados por sacerdotes de caráter considerado indigno pelos fiéis.

      Contribuíram também para a propagação da fé cristã a confissão e a penitência, com as quais, segundo a Igreja, o ser humano se reconcilia com Deus. Ao confessar os atos cometidos contra os princípios da Igreja e ao realizar a penitência imposta pelo confessor (consistindo, na maioria das vezes, em orações), o fiel obtém a absolvição de seus pecados.

       Além dos sacramentos, a Igreja Católica exigia o culto aos santos e pregava insistentemente a existência do demônio, figura geradora de medos e angústia e de cuja força e poder o ser humano pode se livrar com a ajuda dos santos e a proteção da Igreja. Ela adotou também guardar alguns dias considerados santos, em especial o dia 25 de dezembro, uma data consagrada pelos persas como o “dia do nascimento do Sol” e que, para os cristãos em geral, simboliza o “dia do nascimento de Cristo”. A extensão da autoridade da Igreja sobre a comunidade cristã européia foi também ampliada através da excomunhão e do interdito, duas poderosas armas usadas por ela para impor seu domínio e a obediência aos dogmas.

   A excomunhão era aplicada aos que assumiam posições heréticas e/ou negavam a autoridade papal, fosse no campo espiritual ou no temporal. Com ela a Igreja proibia o indivíduo de participar de qualquer atividade religiosa, de ser enterrado em cemitério cristão, de receber os sacramentos, incluindo a extrema-unção, e, se o excomungado morresse sem se arrepender de sua atitude contra os interesses gerais do papado, sua alma seria condenada aos tormentos do Inferno.

   Os demais cristãos ficavam proibidos de prestar solidariedade ao excomungado e de conviver com ele, sob pena de serem condenados ao mesmo tipo de castigo.

     Em geral quando excomungava um rei, um imperador ou um nobre poderoso, a Igreja impunha também o interdito, pelo qual suspendia todas as cerimônias religiosas na comunidade aldeia, cidade, província ou mesmo reino. Quando era decretado, a população local, aterrorizada, fazia pressão para que o governante excomungado aceitasse as determinações do papado e a livrasse do castigo da interdição.etc. —, os monges devem levar uma vida disciplinada pela oração, pelo trabalho e pela obediência às regras de sua ordem.

* O clero secular e o clero regular.

      No século VI foi implantado no Ocidente a primeira ordem religiosa: a Ordem dos Beneditinos.

     Essa ordem surgiu em Monte Cassino, na Itália, em 534, com a fundação de um mosteiro por São Bento. Com essa fundação iniciou-se a vida monástica na Europa, e o clero passou a dividir-se em clero secular e clero regular.

      O clero secular (seculare, em latim) é assim chamado porque os seus integrantes vivem em contato direto com o mundo (seculum).

      Já o nome clero regular é devido ao fato de seus integrantes os monges — obedecerem a determinadas regras (regula, em latim) da ordem a que pertencem. Em todas as ordens religiosas beneditinos, franciscanos, dominicanos, agostinianos, carmelitas

   Nos mosteiros, o trabalho passou a ser encarado pelos monges como uma espécie de culto divino. Unindo o trabalho manual ao intelectual, eles conservaram a cultura clássica greco-romana, criando bibliotecas e oficinas de reprodução de antigos manuscritos.

      Eles faziam votos de pobreza, de obediência e de castidade, e se dedicavam aos pobres e ao ensino, além de trabalhar e orar pela salvação dos outros homens e da sua própria. Em geral hospitaleiros, transformaram os mosteiros em lugares de refúgio e proteção para os enfermos, os desvalidos, as mulheres, os viajantes e foram os principais responsáveis pela conversão dos bárbaros germanos ao cristianismo, criando assim as bases da civilização cristã européia.

Leia o texto e responda:

1. De que forma a Igreja se organizou, possibilitando transformar o cristianismo no grande princípio unificador da civilização cristã européia?

2. Que preceitos a Igreja usou para centrar seu poder espiritual e impor suas doutrinações religiosas?

3. Qual era o papel dos sacramentos dentro da Igreja Católica?

4. Alem dos sacramentos que outros preceitos a Igreja pregava aos fiéis?

5. A extensão da autoridade da Igreja sobre a comunidade cristã européia foi também ampliada através de duas poderosas armas usadas por ela para impor seu domínio e a obediência aos dogmas. Que armas foram essas? Explique-as:

6. A vida monástica da Igreja dividiu-se em duas partes. Cite quais são:

7. O que eram os mosteiros?

8. Como era o trabalho nos mosteiros?