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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

A Participação dos Escravizados Negros na Guerra do Paraguai

 A Participação dos Escravizados Negros na Guerra do Paraguai

       Durante a Guerra do Paraguai (1864–1870), o Brasil enfrentou o exército paraguaio ao lado da Argentina e do Uruguai. O conflito exigiu um grande número de soldados, e rapidamente ficou claro que o exército brasileiro não tinha tropas suficientes para enfrentar uma guerra tão longa e sangrenta.

       Foi nesse contexto que o governo imperial e os senhores de escravos começaram a discutir a possibilidade de enviar homens escravizados para lutar. Muitos senhores se recusavam a liberar seus escravos, mas o governo criou leis e incentivos que tornaram isso possível. Uma dessas medidas foi a Lei dos Voluntários da Pátria (de 1865), que prometia a liberdade aos escravizados que se alistassem ou fossem enviados pelos seus donos.

Escravo na Guerra do Paraguai

       Na prática, muitos escravos não se alistaram por vontade própria: foram obrigados pelos senhores, que viam nisso uma forma de se livrar de pessoas que consideravam “dispensáveis”. Em contrapartida, havia casos em que os próprios escravizados aceitavam lutar como uma oportunidade de conquistar a liberdade e um novo começo de vida.

       Os soldados negros tiveram papel essencial no esforço de guerra. Eles serviram como combatentes, carregadores, cozinheiros, enfermeiros, e participaram ativamente de várias batalhas. Muitos morreram em combate, outros voltaram doentes ou mutilados, e vários não receberam a liberdade prometida — especialmente aqueles cujos senhores se recusaram a cumprir o acordo.

Zuavo Baiano

       Mesmo assim, a participação dos negros e escravizados na Guerra do Paraguai foi marcante. Ela revelou as contradições da sociedade brasileira do século XIX, que, ao mesmo tempo em que dependia do trabalho escravo, também contava com esses homens para defender o Império.

       Alguns historiadores afirmam que a guerra ajudou a fortalecer o movimento abolicionista, pois ficou evidente a injustiça de um país que enviava escravos para lutar em nome da pátria, mas negava-lhes a liberdade. A luta e o sacrifício desses soldados negros se tornaram símbolo de resistência e coragem diante da opressão.

Atividade – Interpretação e Reflexão

1. Por que o governo brasileiro começou a aceitar escravos como soldados durante a Guerra do Paraguai?

2. O que prometia a Lei dos Voluntários da Pátria (1865)?

3. Todos os escravizados que lutaram receberam a liberdade? Explique.

4. Quais funções os negros e escravizados exerciam dentro do exército?

5. Como a participação dos escravizados revelou as contradições da sociedade brasileira?

6. Qual foi o impacto dessa participação para o movimento abolicionista?

7. Você acha que os negros que lutaram foram tratados com justiça? Por quê?

8. O que essa parte da história nos ensina sobre liberdade e igualdade nos dias de hoje?

9. Por que é importante lembrar da participação dos negros e escravizados na história do Brasil?


A Guerra do Paraguai (II Reinado)

 A Guerra do Paraguai

     A Guerra do Paraguai (1864–1870) foi o maior conflito armado da América do Sul, envolvendo quatro países: Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai. Ela ocorreu em um período de grandes transformações na região, quando os países recém-independentes buscavam consolidar seus territórios e economias.


Guerra do Paraguai

    O Paraguai, liderado pelo presidente Francisco Solano López, era um país que se destacava por seu rápido desenvolvimento econômico e por sua tentativa de manter independência frente às potências estrangeiras. López acreditava que o Paraguai poderia se tornar uma potência regional, e por isso buscou expandir sua influência na região do Rio da Prata, onde o Brasil, a Argentina e o Uruguai disputavam interesses comerciais e políticos.

    O conflito começou quando o Paraguai invadiu o Mato Grosso, território brasileiro, em 1864. Em seguida, Solano López declarou guerra à Argentina e ao Uruguai. Em resposta, os três países formaram a Tríplice Aliança, unindo-se contra o Paraguai.

    A guerra foi extremamente violenta. O exército paraguaio, apesar de sua coragem e disciplina, não tinha o mesmo poder militar e econômico dos aliados. As batalhas mais conhecidas, como Tuiuti, Curupaiti e Lomas Valentinas, resultaram em enormes perdas humanas. Estima-se que mais de 60% da população paraguaia tenha morrido, entre soldados e civis.


Batalha de Tuiuti

 

Batalha de Curupaiti

         O conflito terminou em 1870, com a morte de Solano López e a derrota total do Paraguai. O país ficou arrasado: sua economia foi destruída, e boa parte de suas terras foi perdida. O Brasil, por sua vez, saiu vitorioso, mas o custo foi altíssimo: milhares de soldados morreram, e as dívidas da guerra aumentaram significativamente.

    A Guerra do Paraguai deixou marcas profundas na história da América do Sul. Além da destruição, o conflito mostrou como a busca pelo poder e pela expansão territorial pode gerar sofrimento e desigualdade. Para os historiadores, é também um exemplo da necessidade de soluções diplomáticas e pacíficas entre os países vizinhos.

Interpretação e Reflexão

1. Quais países participaram da Guerra do Paraguai?

2. Quem era o líder paraguaio durante o conflito?

3. Qual foi a principal causa da guerra?

4. O que foi a Tríplice Aliança e quais países a formaram?

5. Cite duas consequências da guerra para o Paraguai.

6.  Quais foram as consequências para o Brasil?

7.  Por que a Guerra do Paraguai é considerada o maior conflito da América do Sul?

8. Você acha que a ambição dos governantes teve um papel importante nesse conflito? Explique.

9.  Quais lições podemos aprender com a Guerra do Paraguai em relação às guerras atuais?

10. Em sua opinião, a guerra poderia ter sido evitada? O que os países poderiam ter feito diferente?


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O islamismo

 ISLAMISMO

     O Islamismo surgiu no século VII e, em pouco tempo, se expandiu para várias regiões da Ásia, norte da África e até para a Península Ibérica.

Os árabes antes do Islamismo

    Antes do surgimento do Islamismo, os povos árabes da Península Arábica seguiam uma religião politeísta (acreditavam em muitos deuses).

   Nesta península, viviam diversas e pequenas tribos árabes (várias delas eram nômades), que muitas vezes guerreavam entre si. Não havia nenhum poder central capaz de controlar e administrar todas.

Origem do Islamismo

    A religião islâmica foi criada por Maomé, no começo do século VII. Esta nova religião, ao contrário das outras crenças árabes, era monoteísta (crença em apenas um deus, chamado de Alá).

    Nos séculos VII e VIII, o Islamismo cresceu e se espalhou por toda a Península Arábica. A região se união em torno de um Estado forte, unida pela mesma crença.

Maomé

    Conhecer um pouco sobre a vida de Maomé é importante para entendermos a história do Islã. De acordo com o Islamismo, Maomé foi um profeta, que recebeu orientações (revelação) do anjo Gabriel para criar uma nova religião. Ele nasceu na cidade de Meca (na atual Arábia Saudita), em 25 de abril de 571.

    Por volta dos quarenta anos de idade, Maomé começou a pregar as mensagens do Islã em sua cidade, Meca. Porém, os habitantes desta cidade não aceitaram suas pregações, pois acreditavam em diversos deuses.

   No ano de 622, Maomé saiu de Meca e foi para a cidade de Medina. Este momento, conhecido como Hégira, foi de grande importância para o Islã. Em Medina, grande parte dos habitantes aceitaram a mensagem de Maomé.

   Com seus seguidores, Maomé retornou para Meca, em 630, e a conquistou pacificamente. Logo em seguida, Maomé unificou todas as tribos árabes. Em pouco tempo, o Islã foi se espalhando por quase toda Península Arábica.

    Maomé faleceu em 8 de junho de 632, aos 61 anos de idade, na cidade de Medina.

Expansão do Islamismo

    Após a morte de Maomé, os muçulmanos escolheram um Califa como líder, que era, ao mesmo tempo, líder religioso e espiritual.

      Em 711, o Califado conquistou a região sul da Península Ibérica, que passou a ser chamada de Al-Andalus (Andaluzia). Ficaram nesta região até o século XV. Até hoje, a região sul da Espanha apresenta marcas culturais (arquitetura, linguagem, artes, etc.) da presença muçulmana neste território por centenas de anos. Foram expulsos da região somente no ano de 1492.

    No processo de expansão, os muçulmanos conquistaram também o Império Persa, o norte da África e o Império Bizantino.

  Não conseguiram conquistar o Império Carolíngio (região da atual França), pois foram vencidos pelos francos, em 732, na Batalha de Poitiers.

As principais características do Islamismo são:

- Islã, em árabe, significa “obediência a Deus”.

- As pessoas que seguem a religião islâmica são chamados de muçulmanos

- Para os seguidores desta religião, Maomé não é uma espécie de divindade. Ele é considerado um profeta (mensageiro) de Alá (Deus).

- O livro sagrado dos muçulmanos é o Alcorão. Ele possui as crenças da religião e as orientações morais. Para os muçulmanos, este livro é a palavra literal de Alá, que foi revelada ao profeta Maomé.

- Para os muçulmanos, antes de Maomé, existiram outros profetas: Moisés, Davi, Jacó, Abraão, Isaac, Ismael e Jesus.

- A doutrina muçulmana não permite a representação, através de qualquer tipo de imagem, de Maomé e Alá.

- O local de orações e pregações do Islamismo é chamado de mesquita.

- Nas mesquitas, as orações e pregações são feitas por um Imã (clérigo, autoridade religiosa do Islamismo).

Os pilares do Islã:

- Só existe um deus que é Alá. Maomé foi o seu profeta (mensageiro).

- Os muçulmanos devem rezar, em direção a Meca, cinco vezes ao dia.

- Jejuar (não comer e nem beber durante o dia) no mês de Ramadã. Neste mês sagrado, a alimentação deve ocorrer no período noturno.

- Ajudar as pessoas pobres, através da doação de esmolas.

- Visitar a cidade de Meca pelo menos uma vez na vida, para rezar junto a Caaba. Este evento é conhecido como Peregrinação a Meca.

A Caaba

    O local mais sagrado do mundo, para os muçulmanos, é a Caaba. Ela é uma construção quadrada, onde se encontra a pedra sagrada do Islã (“A Pedra Negra”). Este local é o principal ponto de peregrinação do mundo islâmico.

     Antes de Maomé, este local era utilizado pelas tribos árabes como uma espécie de centro de culto. Após unir as tribos árabes, Maomé incorporou a Caaba ao Islamismo.

Islamismo na atualidade

    Exemplos de países da atualidade em que o Islamismo é a religião seguida pela maioria da população:

   Afeganistão, Bahrein, Catar, Irã, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Omã, Mauritânia, Cisjordânia, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Turcomenistão, Azerbaijão, Somália, Guiné, Tunísia, Senegal, Mali, Síria, Iêmen, Marrocos, Egito, Turquia, Indonésia e Paquistão.

Curiosidades:

- Os sunitas são o maior ramo de seguidores do Islamismo, com cerca de 83% dos fiéis. O segundo maior grupo é o dos xiitas.

- Entre os muçulmanos do ramo xiita, o aiatolá é aquele que possui maior importância na hierarquia do Islamismo.

- O calendário islâmico, também conhecido como hegírico, segue os movimentos da Lua ao redor do planeta Terra. Portanto, ele é um calendário lunar.

Resolva as questões 

1. Em que século surgiu o Islamismo e quais regiões ele alcançou rapidamente após sua origem?

2. Como era a religião dos árabes antes do surgimento do Islamismo?

3. Qual era a principal característica social e política das tribos árabes antes do Islamismo?

4. Quem foi o fundador do Islamismo e o que ele pregava?

5. O que foi a Hégira e por que é um evento importante na história islâmica?

6. O que aconteceu quando Maomé retornou a Meca em 630?

7. Após a morte de Maomé, quem passou a liderar os muçulmanos?

8. Quais territórios o Islamismo conquistou durante sua expansão?

9. O que significa a palavra “Islã” e como são chamados seus seguidores?

10. Cite dois dos cinco pilares do Islã.

11. O que é a Caaba e qual sua importância para os muçulmanos?

12. Cite três países atuais em que o Islamismo é a religião predominante.