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quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Produção de Açúcar no Brasil

Introdução

Para efetivar economicamente a colonização do Brasil, os portugueses investiram na produção do açúcar. O açúcar foi o mais importante produto colonial da América portuguesa. Ele era fabricado principalmente nos engenhos da Bahia e de Pernambuco. A base de tudo era o trabalho escravo. Os holandeses financiaram, transportavam, revendiam o açúcar na Europa.
Foram os árabes que apresentaram o açúcar aos mercadores europeus medievais, porém, o produto era raro e caro, saboreado apenas pelos ricos. Imagine então os lucros doces que a venda de açúcar poderia proporcionar!
Na Europa é muito difícil plantar cana-de-açúcar. Mas no litoral do Nordeste brasileiro as chuvas são boas, o clima é quente e existe o ótimo solo de massapé. Para os portugueses, portanto, o clima tropical e a terra do Brasil eram uma riqueza que não existia na Europa.
Os portugueses vieram para o Brasil tornar-se donos de plantações de cana. Nos séculos XVI e XVII, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de açúcar! Esse açúcar era vendido para os comerciantes portugueses, que o revendiam na Europa.

Casa de engenho de açúcar (moenda).

Onde e como se produzia o açúcar?

As principais produtoras de açúcar eram as capitanias da Bahia e de Pernambuco. O produto também era produzido nas do Rio de Janeiro e de São Vicente, onde hoje está o Estado de São Paulo.
O açúcar era produzido principalmente nos engenhos. O engenho era, antes de tudo, urna grande propriedade de terra, um latifúndio. Possuía urna vasta plantação de cana e um galpão onde se moia a cana, cozinhava-se o caldo e, finalmente, se produzia o açúcar. Havia mais coisas na área do engenho. Numa parte com árvores bonitas e sombra, existia a casa grande, onde morava o senhor de engenho (o dono de tudo) e sua família. Os quartos eram espaçosos e havia uma grande varanda onde o senhor de engenho descansava e ficava de olho na propriedade.
As máquinas dos grandes engenhos (para moer a cana e cozinhar o caldo) eram de alta tecnologia para a época. Vinham da Europa. O senhor de engenho também mandava importar ferramentas de metal, roupas de luxo para sua família, comidas especiais (vinho, azeite, queijos) e alguns móveis e objetos para a casa.
Além dos grandes engenhos, havia uma quantidade significativa de propriedades menores (com menos de 20 escravos) que produziam bastante açúcar.
Os engenhos cultivavam alimentos e criavam animais. Porém raramente produzia tudo aquilo de que necessitavam. Por causa disso desenvolveu-se urna agricultura voltada ao abastecimento interno. Pequenos fazendeiros plantavam mandioca, milho e feijão, depois vendiam nas cidades e nos engenhos. O que nos revela a importância do mercado interno.
O gado bovino também foi bastante utilizado nos engenhos. Proporcionava a carne, o leite, o couro, a força para mover moendas e para carregar um carro cheio de cana sobressaía como uma atividade econômica essencial voltada para o mercado interno, uma parte notável do desenvolvimento da Colônia.

                                           Os pés e as mãos do senhor de engenho
Escravos moendo cana

Quase tudo no engenho era feito pelo trabalho escravo. É por isso que, naquela época, falava-se que “os escravos são as mãos e pés do senhor de engenho”. O senhor de engenho vivia na ampla e fresca casa grande, os escravos se amontoavam na pequena, suja e quente senzala.O senhor de engenho também era servido por homens livres e pobres, que conduziam barcos cheios de sacas de açúcar, cuidavam dos cavalos, vigiavam os escravos. Em troca, recebiam um pequeno pagamento em dinheiro ou em mercadorias. Ou então tinham autorização para estabelecer uma rocinha nas terras do engenho.
Alguns funcionários do engenho recebiam altos salários. Eram os técnicos e administradores do açúcar. Geralmente vinham da Europa, onde tinham aprendido suas importantes profissões: instalavam e consertavam as máquinas do engenho, orientavam os escravos para que fizessem o produto com a melhor qualidade, administravam a propriedade, indicavam qual era a melhor maneira de o engenho funcionar.

 

A sociedade ruralizada

Nas regiões do Brasil onde se produzia açúcar a maioria das pessoas vivia no campo. É por isso que se diz que a sociedade era ruralizada. As poucas cidades que existiam ficavam no litoral e eram portos para vender açúcar.
Os senhores de engenho tinham casas nas cidades. Mas só iam para lá nas épocas de festa da cidade ou quando chegava a temporada de venda do açúcar para os grandes comerciantes. O senhor de engenho era o grande dominador. As pessoas olhavam com inveja sua propriedade, suas terras e escravos, seu poder sobre as pessoas.
A família de um latifundiário era chamada de patriarcal. O pai era senhor absoluto e se considerava “dono” da mulher e dos filhos, do mesmo jeito que era dono dos cavalos e da plantação. O senhor de engenho decidia, por exemplo, o destino dos filhos. Geralmente o mais velho herdava a propriedade. Os outros se formariam médicos, padres, advogados.

Engenho

Os holandeses e o açúcar do Brasil

No século XVII, a Holanda era uma das maiores potências econômicas da Europa. Um dos negócios mais lucrativos da burguesia holandesa (também chamada de flamenga) tinha a ver com o açúcar do Brasil.
Para começar, imagine que um nobre português quisesse instalar um engenho no Brasil. Como conseguir dinheiro para comprar as máquinas, as caríssimas caldeiras de cobre, as ferramentas e os escravos? Ele poderia pedir dinheiro emprestado ao Banco de Amsterdã, que era o maior banco holandês da época. Como você vê, os holandeses financiavam a produção de açúcar. Em troca, recebiam o pagamento dos juros.
Os lucros Indiretos da Holanda com o açúcar brasileiro não paravam aí. Em várias ocasiões, os comerciantes portugueses contrataram companhias de navegação holandesas para transportar o açúcar do Brasil até Lisboa. Grande parte do açúcar saía do Brasil em estado bruto para ser refinado (até ficar branco e fininho) em Amsterdã.
Naqueles tempos de mercantilismo, os burgueses holandeses monopolizavam (controlavam com exclusividade) muitas rotas de comércio de açúcar entre os países europeus. Por isso os comerciantes portugueses tinham de vender seu açúcar diretamente aos holandeses. Depois, os holandeses revendiam o açúcar pelo resto da Europa.
Portanto, os holandeses tinham várias maneiras indiretas de lucrar com o açúcar do Brasil: financiando e recebendo juros bancários, cobrando pelo transporte e pelo refino, ou revendendo na Europa. Houve momentos em que eles tinham mais lucros com o açúcar do Brasil do que os próprios comerciantes portugueses!
Essa melosa ligação comercial entre Holanda, Portugal e Brasil foi encerrada de surpresa, quando aconteceu a União Ibérica.

A crise do açúcar.

A crise do açúcar brasileiro ocorreu após a expulsão dos holandeses do Brasil, pois eles não desistiram do açúcar. Instalaram engenhos nas Antilhas (que são ilhas que ficam no mar do Caribe, lá na América Central) e começaram a exportar açúcar para a Europa. Dessa maneira, a produção mundial de açúcar aumentou demais, O açúcar brasileiro passou a ter de disputar compradores com o açúcar antilhano. Com tanto açúcar sendo oferecido no mercado, os preços foram caindo.
As coisas não estavam boas na Europa. Na famosa crise do século XVII, ninguém conseguia comprar muita coisa. Os preços caíram muito e mesmo assim o comércio continuava declinando. Dá para perceber que isso também botou os preços do açúcar brasileiro lá no porão.
Com os preços internacionais em queda, as exportações brasileiras caíram, o que provocou a ruína de muitos senhores de engenho. Porém houve um fator que atenuou a crise: as compras de açúcar pelo mercado interno brasileiro.

2 comentários:

  1. Qual a fonte das imagens, por
    favor?!?!?!

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  2. as imagens estao no livro do 7º e 8º ano "Projeto Araribá", Editora Moderna.

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